— Certo, vou contatar o Dr. William imediatamente. — A voz de David soou calma e confiável. — Arrume sua bagagem primeiro, manteremos contato no caminho.
— Obrigada.
Desligando o telefone, Tereza Viana começou a arrumar suas coisas rapidamente. Colocou as pastas na mochila, fechou o notebook e enfiou algumas roupas simples e itens de higiene em uma mala pequena. Seus movimentos foram ágeis, sem nada supérfluo.
Por fim, ela olhou ao redor do quarto de hóspedes do refúgio. Pela janela, via-se a paisagem da savana africana iluminada pelo sol. Mas, neste momento, sua mente só pensava na luz vermelha que poderia estar acesa na UTI do Hospital Metropolitano.
Puxando a mala, Tereza abriu a porta.
O corredor estava tão silencioso que ela podia ouvir os próprios passos. Caminhou rápido em direção ao elevador, mas quase esbarrou em alguém na esquina.
— Dra. Rose? — Kamau virou-se a tempo, surpreso com a mala na mão dela. — O que é isso...? A cerimônia de abertura não termina só à tarde? O Dr. William acabou de ligar, disse que queria jantar com a senhora depois do evento...
— Tive uma emergência familiar, preciso voltar ao meu país imediatamente. — Tereza parou e explicou de forma simples. — Desculpe por essa decisão de última hora, não tive tempo de me despedir formalmente. Por favor, peça desculpas ao Dr. William em meu nome e agradeça‑lhe pelo convite e pela hospitalidade desses dias.
Kamau ficou sério na hora: — A senhora é muito educada. O Dr. William certamente entenderá. — Ele notou a frieza em sua expressão e perguntou com cautela: — Precisa que eu arranje um carro para levá-la ao aeroporto? Ou há algo mais em que possamos ajudar?
— Não precisa, o carro que vai me buscar já está a caminho. — Tereza balançou a cabeça, com um tom calmo, mas dando instruções claras. — Se alguém perguntar para onde fui, diga que tive uma emergência familiar e saí mais cedo. Não precisa revelar o local exato. Não é contra ninguém, é apenas uma emergência, não há necessidade de dizer muito.
Kamau obviamente entendeu o que ela quis dizer e assentiu: — Entendido. Eu cuidarei disso. Tenha uma viagem segura e espero que a situação de sua família melhore em breve.
— Obrigada.
A porta do elevador se abriu, Tereza entrou e acenou levemente para Kamau. As portas de metal se fecharam lentamente, bloqueando a luz do corredor.
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Na entrada do prédio principal do refúgio, o familiar veículo off-road cinza-escuro havia chegado pontualmente.
A porta do motorista se abriu e David desceu rapidamente. Ele ainda usava aquela jaqueta cáqui um pouco desbotada, com um rosto sereno e um olhar confiável como sempre.
— Tereza. — Ele pegou a mala. — O Dr. William já resolveu tudo. Há um voo direto de Nairóbi para a Capital em uma hora. Ele usou contatos especiais na aliança de aviação internacional para conseguir um assento especial para você. As passagens para este horário estavam todas esgotadas, seria impossível comprar pelos meios normais.
— O Dr. William teve muito trabalho. — Tereza sentou-se no banco do passageiro. — E deu trabalho a você também, David.

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