O avião pousou no Aeroporto Internacional da Capital ao anoitecer. O brilho do sol cobriu a enorme cidade com um tom dourado-avermelhado.
Tereza Viana não parou, passando rápido pelo canal especial. Um sedã preto já a esperava na saída. O motorista era um homem de cerca de quarenta anos, com uma expressão tranquila. Ao vê-la, abriu a porta respeitosamente: — Dra. Tereza, o Diretor Ricardo pediu para eu vir buscá-la e ir direto ao hospital.
— Obrigada. — Tereza sentou-se no banco de trás e fechou os olhos para descansar. O voo de treze horas não diminuiu sua determinação; ao contrário, fez seus olhos parecerem mais calmos e afiados sob o cansaço.
Quando o carro entrou no Hospital Metropolitano, as luzes estavam acendendo. O prédio da emergência estava iluminado, mas o corredor da UTI no terceiro andar estava muito silencioso, apenas com o bipe regular dos equipamentos e os passos leves da equipe médica.
O Diretor Ricardo estava mesmo esperando perto do elevador. O diretor, com seus cinquenta e poucos anos e cabelos grisalhos, usava um jaleco branco e tinha uma expressão séria. Ao ver Tereza, caminhou rapidamente até ela: — Dra. Tereza, você chegou.
— Diretor Ricardo, obrigada pelo seu trabalho. — Tereza apertou sua mão. — Como está o vovô?
— A situação está estável, mas ele está muito frágil. — O Diretor Ricardo baixou a voz, relatando rápido enquanto caminhavam. — O Sr. Antônio desmaiou de repente em casa ontem à tarde e foi trazido direto pela ambulância. Quando chegou, a pressão arterial estava muito baixa e a saturação de oxigênio era de apenas 82%. O Diretor Mendes fez o tratamento de emergência e o transferiu para a UTI. Atualmente, ele está nos ventiladores e medicamentos. Mas...
Ele fez uma pausa e tirou alguns relatórios da pasta: — Este é o resultado do exame de sangue desta manhã. A concentração sérica de digoxina é de 5,8 ng/mL, superando muito o limite. Mas no registro de uso de medicamentos do Sr. Antônio não consta a digoxina.
Tereza pegou o relatório, passou os olhos rapidamente pelos dados e seu olhar ficou frio de repente.
Digoxina. Um remédio para o coração com uma margem de tratamento muito estreita. Em excesso, é veneno.
— O Diretor Mendes explicou que o Sr. Antônio sentiu palpitações e receitou. — A voz do Diretor Ricardo ficou mais baixa. — Eu interroguei os empregados na residência dele. Ontem, por volta das três da tarde, sua madrasta, a Sra. Viana, foi à casa e levou uma garrafa térmica. O Sr. Antônio passou mal pouco depois de ela sair.
Os passos de Tereza não pararam, mas seus dedos apertaram o relatório, amassando levemente as bordas do papel.
No final do corredor, no banco da área de espera da UTI, Ricardo Viana estava sentado, com as mãos juntas e expressão ansiosa. Ao ver Tereza e o Diretor Ricardo chegando, ele se levantou na hora.
— Tereza, você final...
— Chega, não precisa falar. — Tereza o cortou, sua voz tão calma que não tinha nenhuma variação. — Vou me trocar primeiro e ir para o quarto.
Ela sequer olhou para Ricardo Viana e caminhou direto para o vestiário da equipe médica.
Ricardo Viana ficou paralisado no lugar, com a mão estendida no ar e o rosto vermelho. Ele apontou para as costas de Tereza e elevou a voz: — Que... que atitude é essa! Eu sou seu pai!
O Diretor Ricardo deu um passo à frente no momento certo, bloqueando os dois de forma gentil, mas firme: — Sr. Viana, por favor, entenda, a Dra. Tereza agora está preocupada com a condição do Sr. Antônio. Se tiver algo a dizer, espere o exame terminar.

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