A cabeça de Ricardo Viana estava um caos, então ele disse sem pensar: — Pode ir.
Heloísa Viana assentiu docilmente e carregou a garrafa térmica até o escritório. Ela hesitou na porta e lançou um olhar para Ricardo Viana; havia algo naquele olhar que Ricardo não conseguia decifrar.
Cerca de vinte minutos depois, Heloísa Viana saiu do escritório com a garrafa térmica vazia.
— O velho bebeu? — perguntou Ricardo Viana.
— Sim, tomou uma tigela bem grande. — Heloísa Viana respondeu sorrindo. — Ele até elogiou o meu tempero.
Ricardo Viana não queria ouvir, já que a mente dele estava preenchida pelas palavras rudes do pai. Agitou a mão com impaciência: — Chega, vamos embora.
Os dois saíram da mansão. O carro estava há menos de dez minutos da porta quando o mordomo ligou desesperado: — Senhor! É terrível! O senhor Antônio desmaiou e eu já liguei para uma ambulância!
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E a lembrança parou por aí.
Ricardo Viana olhou para os olhos frios da filha na sua frente, sentindo um aperto na garganta. Ele se lembrou do olhar de Heloísa Viana ao sair do escritório... e agora, ao pensar, via complacência e planejamento naquele olhar.
Na noite anterior, no hospital, Heloísa o arrastara para a escadaria, acariciando gentilmente a barriga lisa: — Ricardo, estou grávida. Mais de três meses. Fiquei com medo de contar.
Ricardo Viana ficou chocado: — Grávida? Por que não disse antes?
— Fiquei com medo... medo de você não querer o bebê. — Os olhos de Heloísa Viana ficaram vermelhos. — Ricardo, este é o seu filho. O seu primeiro filho não é capaz, e a Tereza nunca se importa conosco. Este bebê... talvez seja a nossa última esperança.
Ela se aconchegou nos braços de Ricardo Viana, engasgando as palavras: — O incidente com o seu pai... foi um acidente. Mas eu fiz o que eu tinha que fazer para a nossa família. Fiquei sabendo que o velho planejava fazer um testamento para passar as ações do Grupo Viana e suas propriedades para a Tereza. O que faríamos? O que o Grupo Viana faria? Quando o nosso filho nascer, o que ele herdaria?
O corpo inteiro de Ricardo Viana congelou: — O que... o que você fez com o meu pai?
— Nada demais, apenas coloquei algo no caldo. — A voz de Heloísa Viana de repente ficou gelada. — Não se preocupe, eu já lidei com isso e os exames não vão constatar nada. Desde que as nossas histórias se alinhem de que foi apenas uma sopa comum, não há nenhuma prova com ninguém.
Ela olhou para cima e olhou bem nos olhos de Ricardo Viana: — Ricardo, você deve escolher. Escolhe o velho, que sempre o depreciou e quer cortar as suas últimas opções, ou escolhe eu e o nosso filho ainda não nascido?

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