Penitenciária Feminina da Capital, sala de visitas.
Larissa Ramos sentou-se na fria cadeira de plástico, através do vidro grosso à prova de explosões, encarando fixamente a transmissão ao vivo na tela da TV em frente. Aquela era a cerimônia de abertura de um projeto de reconstrução no Quênia, transmitida globalmente.
Na tela, a mulher que ela odiava — Tereza Viana — estava de pé sob a luz da manhã. Sem um vestido deslumbrante, sem maquiagem elaborada, apenas vestindo um macacão caqui simples, mas ela fez com que os políticos presentes, o chefe e estudiosos internacionais se levantassem e cumprimentassem.
A voz trêmula do velho chefe soou através do intérprete: — ... nós a chamamos de "Anjo", nós a chamamos de — "Rose"!
A seda vermelha foi revelada e o rosto verdadeiro da estátua apareceu.
Larissa Ramos cerrou os punhos com força, as unhas cravando‑se nas palmas das mãos até deixarem marcas de sangue. Ela assistiu às orações fervorosas dos moradores locais na tela, aos olhares reverentes de respeito das corporações médicas internacionais e à atitude serena de Tereza Viana para com tudo.
— Ah...!!!
Ela subitamente gritou fora de controle, e as duas mãos bateram com força no vidro à prova de explosão, produzindo um ruído abafado. O carcereiro rapidamente avançou e a imobilizou: — 7564! Acalme-se!
— Me solte! Me solte! — Larissa Ramos se debateu de maneira frenética, os olhos vermelhos: — Por quê! Como pode ela parecer tão gloriosa lá fora! Como eu terminei apodrecendo aqui dentro! Eu não aceito isso! Não aceito!
Ela foi arrastada à força para fora da sala de visitas e escoltada de volta para a cela. Durante todo o percurso, os gritos dela ressoaram no corredor vazio como uma fera em desespero.
A porta da cela se fechou bruscamente.
Larissa Ramos caiu sentada no chão de cimento frio, o corpo inteiro tremendo. Não era medo, era raiva, era um ódio avassalador.
Um ano. Ela foi sentenciada a um ano, com um ano de condicional. Enquanto os pais, aquela ótima irmã Berta Ramos...
— Oh... hahahah... — ela soltou um riso repentino e triste —, eles todos mentiram... Eles mentiram.
O tempo de visitas chegou novamente.
Larissa Ramos foi trazida de volta para a sala de visitas de novo. Desta vez foi o velho mordomo da casa dos Ramos, que esteve com a família por mais de duas décadas. Ele pegou o telefone do outro lado do vidro e Larissa também pegou de forma robótica.
— Segunda filha. — A voz do mordomo trazia um traço de pena: — O patrão e a senhora me mandaram vê-la.
Os olhos de Larissa Ramos acenderam: — Meus pais encontraram uma maneira? Estão querendo me tirar daqui? Eu não posso passar um único dia a mais! Quero ir!
O velho mordomo ficou em silêncio por alguns segundos, abaixou a voz e disse: — O patrão e a senhora falaram... falaram que você deveria ser devidamente reformada no tempo aí e controlar um pouco esse temperamento.
A expectativa no rosto da Larissa Ramos congelou em uma fração de segundo.

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