— Acordo? — Larissa Ramos riu friamente: — O que eu tenho para negociar agora? Uma criminosa, uma abandonada pela família.
— Todo mundo tem valor. — A mulher mexeu levemente o café na xícara. — Por exemplo, o seu ódio pela família Ramos, o seu ódio pela Berta Ramos, e também... o seu ódio pela Tereza Viana.
O olhar de Larissa Ramos endureceu: — Afinal, quem é você?
— Quem eu sou não importa. — A mulher abaixou a xícara de café e a olhou diretamente nos olhos. — O que importa é que eu posso tirar você daqui antes do tempo. Não é condicional; é a revogação total da sua ficha criminal, como se nada tivesse acontecido.
O coração de Larissa Ramos disparou: — Quais são as condições?
— Muito simples. — A mulher sorriu. — Eu vou precisar que você me faça um favor. Fique tranquila, não é assassinato ou incêndio, não é um crime contra a lei. Talvez seja só uma coisa pequena: entregar algo, passar uma mensagem, ou dizer algumas palavras em certas ocasiões.
Larissa Ramos fixou o olhar nela: — Por que me escolher?
— Porque você não tem saída. — A voz da mulher era suave, mas cada palavra perfurava o coração. — A família Ramos a abandonou, a família Ferreira a abomina, e até aquela sua excelente irmã agora está muito ocupada agradando o Adilson Ferreira para se preocupar com você. O seu único valor agora é o seu ódio: o seu ódio por todo mundo.
Ela fez uma pausa e acrescentou: — É claro, tem a sua identidade. A segunda filha da família Ramos, mesmo como uma peça abandonada, você ainda é uma pessoa dos Ramos. Em alguns casos, você é mais conveniente do que outras.
Larissa Ramos ficou em silêncio.
Ela observou a atitude elegante e calma da mulher do outro lado do vidro e notou a autoconfiança de alguém que controla tudo nos olhos dela. O que essa mulher disse era verdade: ela não tinha saída.
Todo dia na prisão era como estar no inferno. Ela estava farta das colegas de cela vulgares, da comida difícil de engolir e da vida sem nenhuma dignidade. Ela tinha apenas pouco mais de vinte anos e não queria apodrecer lá!
— Eu prometo. — Larissa Ramos praticamente sibilou as palavras. — Desde que você me tire daqui, eu aceito qualquer coisa.
A mulher sorriu, e foi um sorriso lindo que, no entanto, transmitia um arrepio inexplicável. — Ótimo. Então, foi bom fazer negócio com você.
Ela se levantou e olhou para Larissa Ramos antes de sair: — Logo vai chegar um advogado. Não se esqueça do que combinamos: você não me viu hoje e nós nunca tivemos essa conversa.
A mulher saiu da sala de visitas e os cliques dos saltos foram desaparecendo ao longo do corredor.
Larissa Ramos continuou agarrada ao telefone, com as mãos repletas de suor.
Ela não sabia quem era aquela mulher e nem por que estava fazendo aquilo; e menos ainda tinha noção do que seria forçada a fazer. Mas tudo isso não tinha importância nenhuma no momento.
O que importava... ela ia sair daquele lugar.
Ela poderia sair desse lugar infernal, respirar o ar da liberdade novamente e... buscar vingança.
Sim, vingança.

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