E então, a posição de Sra. Ferreira ficaria vazia.
Mesmo que não sobrasse para ela, Larissa, pelo menos a sua irmã Berta teria uma chance. E ela, talvez, pudesse encontrar uma oportunidade de se aproximar dele no meio do caos.
Adilson sentiu uma náusea repentina.
Esse tipo de pensamento distorcido e perverso tinha crescido debaixo do seu nariz por três anos. E ele não percebeu nada.
— A Berta sabe disso? — perguntou ele, com a voz rouca.
— Isso... Eu ainda não encontrei provas concretas. — disse Thiago com cautela. — Mas olhando pelas pistas atuais, a Berta não deve saber. A Larissa fez essas coisas pelas costas dela. Além disso, a Berta passou todo esse tempo ocupada cuidando do Erasmo e... consertando o relacionamento com o senhor, não deveria ter cabeça para planejar isso.
Adilson ficou em silêncio.
Ele se lembrou do comportamento da Berta nos últimos tempos — gentil, atenciosa e compreensiva, sempre falando "coisas boas" sobre a Tereza na frente dele, agindo como uma "ex" generosa.
Ela realmente não sabia?
Ou... atuou bem demais?
— Sr. Ferreira — Thiago perguntou —, o que faremos a seguir? A Larissa já foi condenada e o Felipe também já está preso. Ainda vamos...
— Mande alguém "cuidar bem" do Felipe lá dentro. — A voz de Adilson soou fria. — Ele gosta tanto de se divertir? Então deixe ele se “divertir” bastante lá dentro.
Thiago sentiu um arrepio e entendeu o significado do chefe: — Sim.
— E a família Ramos também. — Adilson foi até a mesa e pegou um lenço para limpar o sangue da mão. — Verifique quais são as indústrias em que o Grupo Ramos atua. Chegaram tão longe a ponto de ousar tocar na esposa de Adilson Ferreira... Estão achando que não tem ninguém na família Ferreira?
Seu tom era calmo, mas a aura assassina nas entrelinhas causou calafrios nas costas de Thiago.
— Entendi. — Thiago assentiu. — Vou mandar alguém fazer isso.
Adilson acenou com a mão, e Thiago se retirou com tato.
O escritório voltou a ficar silencioso.
Adilson foi até a janela panorâmica e olhou para a cidade iluminada lá fora. O machucado em seu dedo ainda doía um pouco, mas não era nada comparado à dor latejante em seu coração.
Ele finalmente entendeu por que o olhar de Tereza sempre fora tão calmo e distante em relação a ele.
Não era indiferença.
Era uma decepção total.
Que direito tinha um marido de exigir confiança e dependência quando nem sabia que a própria esposa fora drogada e quase violentada?
Ele pegou o celular e foi até o número de Tereza.
A ponta do dedo hesitou sobre o botão de chamada, mas não conseguia apertá-lo.
O que dizer?
Desculpar-se? Muito vazio.
Explicar? Ridículo demais.

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