As mãos de Marcos Lima tremiam um pouco.
Mas ele ainda pegou o celular e discou o número criptografado.
O telefone tocou três vezes e foi atendido.
Uma voz rouca veio do outro lado, falando inglês com sotaque do sudeste asiático:
— Quem é?
Marcos Lima puxou o ar e respondeu em inglês: — Cliente Antigo. Quero fazer um pedido.
O outro lado ficou em silêncio por um segundo.
— Envie os dados do alvo. Orçamento em 24 horas.
O telefone desligou.
Marcos Lima abaixou o celular e olhou para Adilson Ferreira.
— Sr. Ferreira, pediram para enviar os dados. Orçamento em 24 horas.
Adilson Ferreira assentiu.
Ele foi até o bar, pegou a garrafa de vinho tinto aberta e serviu uma taça.
O líquido vermelho-escuro balançava na taça, como sangue coagulado.
Ele ergueu a taça e tomou um pequeno gole.
O aroma suave do vinho tinto invadiu a ponta da língua, mas logo foi sobreposto por outro sabor: o gosto de sangue.
O sangue que ele havia engolido agora pouco ainda restava em sua garganta.
Os dois sabores se misturaram e reviraram em sua boca.
Amargo, doce e sangrento, e uma complexidade indescritível.
Adilson Ferreira tomou outro gole.
Desta vez, ele saboreou lentamente aquela mistura.
Então ele abaixou a taça e olhou pela janela.
A Torre Eiffel lá fora brilhava com um tom metálico sob a luz do sol.
Os cantos de sua boca se curvaram.
Aquele arco era muito leve, muito frio.
— Caio Mendes — sussurrou ele, rangendo os dentes —, boa sorte. Espero que consiga voltar vivo para o seu país.
—
Na porta do hotel.

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