— Um pouco o quê? — Caio deu um passo à frente. — Ou será que você acha que eu estou doente e quer ir logo cavar minas na África?
— Não quero, não quero! — Renan quase chorou. — Sr. Mendes, eu errei! O senhor levar flores é ótimo! Muito apropriado! A Sra. Tereza é médica, médicos também são pessoas, ela com certeza vai ficar feliz ao receber flores!
Caio desviou o olhar e voltou a olhar para as flores nas mãos: — Já que sabe falar, fale mais, e eu te dou um bônus de cinquenta mil no salário deste mês.
Renan ficou surpreso e logo se alegrou: — Obrigado, Sr. Mendes!
— Mas... — Caio acrescentou — se ela achar que essas flores não são apropriadas, você vai para a filial da África ficar três meses.
O sorriso de Renan congelou no rosto.
Oito e dez, os dois se prepararam para sair.
Ao chegarem no hall de entrada, encontraram a Dona Glória voltando das compras. Dona Glória era uma empregada antiga da família Mendes, trabalhou para eles por trinta anos, e Caio a chamou especialmente para cuidar da casa quando veio para a Capital.
— Nossa, o Sr. Mendes está tão arrumado hoje! — Os olhos de Dona Glória brilharam, ela abaixou a cesta de compras e o analisou com cuidado. — Esse terno, essa gravata, e o cabelo penteado... tsc tsc, para onde vai?
— Para o hospital. — Caio disse.
— Para o hospital? — Dona Glória olhou para as flores nas mãos dele. — Ir ao hospital com flores tão bonitas? Vai visitar um paciente?
— Não. — Caio fez uma pausa. — Vou ver um médico.
Dona Glória ficou surpresa, e logo sorriu: — Ver um médico e levar flores? Sr. Mendes, não me diga que o senhor...
— Dona Glória, não diga mais nada — Caio a interrompeu. — Vou dobrar o seu salário esse mês.
— Nossa, que gentileza! — Dona Glória disse isso, mas o rosto se abriu em um sorriso. — Mas Sr. Mendes, a Dona Glória vai dizer mais uma coisa: se o senhor realmente estiver interessado em alguma médica, dar flores é o certo, mas é melhor dar umas mais discretas. Em um lugar como o hospital, flores muito chamativas não são boas.
Caio olhou para as rosas roxo-escuras nas mãos, pensativo.
Nove e vinte, Hospital Metropolitano.
O prédio de ambulatórios do Hospital Metropolitano estava cheio de gente indo e vindo.
Quando Caio entrou no saguão segurando o buquê de "Rosas Queen", atraiu muitos olhares na mesma hora.
A roupa dele era chamativa demais — terno de alta costura, postura ereta, rosto bonito, mas sério, e ainda aquele buquê de cor única nas mãos. Ele inteiro destoava do ambiente do hospital, parecendo um modelo saído da capa de uma revista de negócios.
Renan andava meio passo atrás dele, sentindo os olhares vindos de todas as direções.
Havia duas jovens enfermeiras na recepção trocando de turno, e ao verem Caio se aproximar, as duas pararam o que faziam ao mesmo tempo.
— Com licença, — Caio chegou à recepção, a voz estável — onde fica o escritório da Dra. Tereza Viana?
Uma das enfermeiras voltou a si e o rosto corou de leve: — O senhor... o senhor procura a Dra. Tereza? Tem hora marcada?
— Sim. — Caio assentiu. — Marquei para as nove e meia.


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