Mas nunca tinha visto alguém como Caio: vestido com um terno de alta costura, segurando rosas raras que custavam milhares de reais e dizendo "eu pretendo te conquistar" com o tom de quem está apresentando um relatório de trabalho...
Era realmente a primeira vez que via.
Um som de puxada de ar extremamente reprimida veio do canto da parede.
Tereza olhou, e Renan estava cobrindo a boca com força, o rosto vermelho, e os ombros tremiam como folhas ao vento.
Caio também virou a cabeça e lançou um olhar frio para o assistente.
Renan ficou reto na mesma hora, mas os cantos da boca ainda se contraíam loucamente.
Tereza desviou o olhar e voltou a olhar para Caio. Ela respirou fundo e disse com o tom mais profissional e calmo possível:
— Sr. Mendes, primeiro, obrigada pela sua... franqueza. Segundo, como sua médica, preciso te alertar — os sintomas que você descreve agora, muito provavelmente são uma projeção emocional temporária. Como eu salvei o seu avô em um momento crítico, você gerou uma percepção emocional errada com base na gratidão.
— Não é erro. — Caio disse com firmeza.
— Na medicina, isso é chamado de "reação de transferência". — Tereza continuou. — É muito comum o paciente ou parente desenvolver sentimentos pelo médico que ultrapassam a relação normal entre médico e paciente. Geralmente, com o passar do tempo e o pensamento racional, esse sentimento desaparece naturalmente.
— Eu não vou. — Caio disse.
— Sr. Mendes, — Tereza levantou e fez um gesto de "por favor" — a consulta de hoje termina aqui. Sobre os "sintomas" que você mencionou, eu sugiro: primeiro, mantenha distância, reduza o contato; segundo, se esses pensamentos persistirem, sugiro consultar um psicólogo profissional; terceiro...
Ela olhou para as flores na mesa: — Estas flores são muito valiosas, não posso aceitar. O hospital tem regras.
Caio não se moveu, apenas olhou para ela: — Tereza, você acha que eu estou brincando?
— Eu acho que você está passando por uma flutuação emocional temporária. — Tereza falou sem deixar brechas. — E essa flutuação não deveria afetar a sua capacidade de julgamento.
Os dois se encararam.
O ar foi preenchido por um impasse sutil.
Muito tempo depois, Caio sorriu de repente. Não era um sorriso de alegria, mas um sorriso com um pouco de impotência e um pouco de autodepreciação.
— Tudo bem. — Ele disse. — Por hoje ficamos por aqui.
Ele virou e caminhou até a porta, parou no meio do caminho, olhou para trás e disse: — Você pode se livrar das flores. Mas vou deixar uma coisa clara — Tereza, não estou brincando, e não é nenhuma "reação de transferência". Eu estou falando sério.
Depois de falar, ele abriu a porta e saiu.
Renan correu para acompanhar, e antes de fechar a porta, não aguentou dar uma olhada para trás em Tereza — ela estava em pé atrás da mesa, olhando para o buquê de flores, com a testa levemente franzida, e a expressão era de uma rara... impotência.
A porta fechou.
No corredor, Caio caminhou a passos largos em direção ao elevador.
Renan acompanhou com passos rápidos e perguntou com cuidado: — Sr. Mendes, nós agora...
— Voltar para a empresa. — Caio apertou o botão do elevador.
— E a Dra. Tereza...
— Ela precisa de tempo. — Caio disse, sem emoção na voz. — Mas a minha atitude já foi demonstrada.

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