Restaurante Horizon Zenith, seis da tarde
A luz do lustre de cristal na sala privativa era suave e iluminava a louça de porcelana com bordas douradas, refletindo um brilho morno.
As famílias Ferreira e Ramos sentaram-se em lados opostos da longa mesa, claramente divididas.
Roberto sentou-se na cabeceira, vestindo um traje cinza-escuro, com uma expressão séria e sua autoridade habitual. Giovana sentou-se à sua direita, vestindo um vestido azul-escuro bordado com fios de prata. O colar de pérolas em seu pescoço era perfeitamente redondo, mas o sorriso educado que ela mal conseguia manter no rosto parecia uma fina camada de gelo, prestes a quebrar a qualquer momento.
Adilson sentou-se ao lado da mãe, de terno preto, com a camisa branca abotoada até o topo. Ele baixou os olhos, mexendo lentamente a tigela de sopa à sua frente com uma colher de prata, parecendo completamente alheio à atmosfera um tanto rígida na mesa — ou melhor, não se importava nem um pouco.
Do outro lado, os três membros da família Ramos estavam sentados com postura ereta.
Berta usava um vestido longo de tricô bege. Ela escolheu propositalmente um modelo largo, que cobria a barriga ainda imperceptível. O cabelo estava preso em um coque baixo, e ela usava uma maquiagem leve e bem-feita, com um batom rosa suave, tentando criar uma imagem de mulher caseira.
Os pais dela pareciam muito mais tensos. O pai ajustava o nó da gravata o tempo todo, enquanto a mãe lançava olhares furtivos para o casal Ferreira, torcendo os dedos inconscientemente sob a toalha de mesa.
O garçom serviu as entradas em silêncio e se retirou sem fazer barulho.
Roberto quebrou o silêncio, erguendo a taça: — Convidei o senhor e a senhora Ramos hoje principalmente para discutir o assunto dos nossos filhos.
O pai de Berta rapidamente pegou sua taça: — O Sr. Ferreira é muito gentil, nós é que deveríamos brindar ao senhor.
As taças se tocaram levemente, emitindo um som nítido.
Giovana tomou um pequeno gole de vinho, abaixou a taça, e seu olhar parou no rosto de Berta por um momento antes de se desviar. Ela falou de repente, com um tom de conversa casual, mas que carregava uma investigação proposital:
— Berta, por que não estou vendo a sua irmã Larissa? Faz um tempo que não a vejo.
Assim que ela terminou de falar, as expressões dos três membros da família Ramos congelaram por um instante.
O congelamento foi curto, quase imperceptível, mas Adilson levantou os olhos.
Ele viu os dedos da mãe de Berta se apertarem de repente, cravando as unhas na palma da mão. Viu o pomo de adão do pai se mover de forma antinatural. Viu o sorriso suave no rosto de Berta endurecer, embora ela tenha se ajustado rapidamente e dito em voz baixa:
— Dona Giovana, a Larissa... está um pouco ocupada ultimamente.
— Ocupada? — Giovana ergueu uma sobrancelha. — Ocupada com o quê? Lembro que ela aparecia bastante na nossa casa, não é? Aquela menina sabia se fazer notar, era muito simpática.
As palavras pareciam inofensivas, mas cortavam como navalhas para a família Ramos.
Adilson sabia que a mãe fez de propósito. Giovana não gostava de Larissa. A garota realmente costumava ir à casa dos Ferreira, demonstrando interesse em Adilson de forma direta e indireta, com métodos tão óbvios que chegavam a ser constrangedores. Naquela época, Giovana dizia: "A filha mais nova da família Ramos é muito atirada, não tem postura."
Tocar no assunto agora era apenas um aviso.
A mãe de Berta forçou um sorriso para responder: — A Larissa... arrumou um emprego novo, fora da cidade. Não vai poder voltar tão cedo.
— Fora da cidade? — Roberto também entrou na conversa. — Que tipo de trabalho? É bom que os jovens saiam para explorar.
Gotas de suor apareceram na testa do pai de Berta: — É... uma empresa comum, trabalho de escritório. Essa menina tem um gênio forte, não conseguimos controlá-la, então deixamos ela ir.

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