— Você discute os detalhes do casamento com a Berta depois. — disse Roberto. — Pedi para o secretário organizar a lista de convites, amanhã te entrego para ver.
— Certo.
O assunto mudou para coisas triviais: o cardápio do banquete, a acomodação dos convidados, o cronograma da cerimônia. A família Ramos concordava com cautela, ocasionalmente dando sugestões irrelevantes.
A atmosfera pareceu relaxar um pouco.
Até que a porta da sala privativa foi aberta.
Todos acharam que era o garçom entrando para servir mais chá.
Por isso, quando Larissa apareceu na porta, houve um silêncio absoluto de três segundos na sala.
Ela usava um vestido de veludo vermelho com um decote em V um pouco baixo e a barra logo acima das coxas. O cabelo estava ondulado e solto sobre os ombros. Sua maquiagem era pesada, com delineador puxado e batom vermelho vivo. Segurava uma pequena bolsa prateada, e seus saltos altos pisavam no tapete sem fazer barulho.
Ela ficou ali parada, passando o olhar por cada pessoa na sala, até fixá-lo no rosto de Adilson.
Um sorriso foi se formando devagar no canto dos lábios dela.
O garfo que a mãe de Berta segurava escorregou da mão e bateu no prato com um barulho seco.
O pai de Berta se levantou de repente, e a cadeira arrastou no tapete soltando um som abafado.
O rosto de Berta ficou pálido na mesma hora. Instintivamente, ela colocou a mão sobre a barriga, apavorada, como se estivesse se protegendo de uma ameaça que não conseguia ver.
Roberto e Giovana se entreolharam e viram o choque nos olhos um do outro, além de uma dúvida maior.
Apenas Adilson continuou sentado sem se mover. Ele apenas levantou os olhos e olhou calmamente para Larissa na porta. Ela saiu? Tão rápido? Ele estava cheio de dúvidas.
— Desculpem o atraso.
Larissa falou, com uma voz propositalmente doce. Ela entrou, fechou a porta atrás de si e caminhou a passos lentos pelo tapete até a cadeira vazia ao lado da mãe. Aquele lugar havia sido preparado para ela, mas como a família Ramos disse que ela não viria, a louça havia sido retirada.
Ela puxou a cadeira e sentou-se, sorrindo para o garçom que estava parado ali: — Por favor, traga mais um prato.
O garçom assentiu, atônito, e saiu apressado.
A sala continuava em um silêncio mortal.
A mãe de Berta finalmente reagiu. Sua voz tremia, quase espremida: — La... Larissa... como você... como você saiu?
Larissa virou a cabeça e olhou para a mãe, sem perder o sorriso: — Mãe, que jeito de falar. Por que eu não poderia sair? Eu não cometi nenhum crime.
As palavras soaram leves, mas foram como um tapa na cara da família Ramos.
Roberto franziu a testa e olhou para o pai de Berta: — Sr. Ramos, o que está acontecendo?
O pai de Berta abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som. O suor em sua testa aumentou, brilhando sob a luz.
Larissa tomou a palavra, com um tom tão relaxado quanto se estivesse falando do tempo: — Sr. Ferreira, não é nada. Foi só um mal-entendido com umas pessoas há um tempo. Agora que tudo se resolveu, eu voltei.

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