Mas já era tarde demais.
Berta as viu primeiro e seus olhos brilharam, logo revelando uma surpresa calculada: uma surpresa com um toque de pânico, um toque de desculpa e um toque imperceptível de triunfo.
— Tereza? — Ela chamou baixo, com a voz suave. — Que coincidência encontrar vocês aqui.
Dona Giovana e Adilson se viraram ao mesmo tempo.
Ao ver Tereza, o sorriso no rosto de Dona Giovana desapareceu na hora, sendo substituído por um descontentamento escancarado. A expressão de Adilson foi bem mais complexa: surpresa, constrangimento e uma emoção que Tereza não conseguiu decifrar. Ele instintivamente tentou retirar o braço que Berta segurava, mas Berta agiu como se não tivesse notado e o apertou ainda mais.
— Mãe. Adilson. — Tereza cumprimentou com frieza, a voz sem qualquer oscilação.
Dona Giovana soltou um bufo frio, medindo Tereza de cima a baixo:
— Ainda sabe que sou sua mãe? Pedi para você ir comer na casa principal e você não foi, mas tem tempo para passear no shopping com a amiga.
As palavras soaram ásperas e não foram ditas em voz baixa. Pessoas ao redor já começavam a olhar.
Beatriz não aguentou e abriu um sorriso frio:
— Dona Giovana, olha o que a senhora está dizendo. O seu filho também não está ocupado acompanhando a amante e a criança no shopping? Que ironia! O dono pode fazer o que quiser, mas os outros não podem nem reclamar?
— Quem você chamou de amante! — Dona Giovana esbravejou, aumentando o tom de voz.
— Quem respondeu. — Beatriz não se intimidou e bateu a bengala de leve no chão. — Trazendo a amante e o filho bastardo do seu próprio filho abertamente para o shopping, a cara de pau da senhora é mais grossa que os vidros daqui.
Já havia pessoas cochichando ao redor, e os olhares iam de um lado para o outro entre eles:
— Aqueles são os Ferreira? Aquele Adilson Ferreira do Grupo Ferreira?
— Aquela do lado é a Berta, né? Aquela que tá em todos os jornais de finanças e entretenimento ultimamente...
— A esposa original também está aí? Meu Deus, que cena tensa...
— Fala baixo, não é bom mexer com os Ferreira...
— Medo do quê? Olha pra esposa, ela é até bonita, como deixou a amante tomar o lugar?
— Isso você não entende, os homens sempre preferem as flores da rua do que as de casa...
Ouvindo os comentários, o rosto de Dona Giovana ficou ainda pior. Ela deu um passo à frente com a criança nos braços e encarou Tereza:
— Tereza, olha o tipo de amizade que você tem! Sem um pingo de educação! A Berta é a mãe do Erasmo, é alguém que os Ferreira reconhecem! E você, três anos de casada e a barriga nem deu sinal, vai culpar quem?
Essas palavras foram como uma faca, apunhalando direto a ferida mais dolorosa de Tereza.
Beatriz estourou na hora. Ela parou na frente de Tereza, com a voz gélida:
— Dona Giovana, isso que a senhora falou é muito interessante. Não conseguir ter filhos não seria problema do seu filho? Em vez de ir perguntar ao seu filho, por que a senhora está culpando a Tereza?
Dona Giovana reagiu como se tivesse ouvido uma piada:
— O meu filho tem problema? A Berta deu aos Ferreira um netão, como pode ter algum problema? Está claro que é ela que não presta para isso!
— E como a senhora sabe se a Tereza e o seu filho tiveram relações? — Beatriz disparou.
Assim que a voz dela calou, o ambiente ao redor ficou em silêncio por alguns segundos.
Até os sussurros pararam.
O rosto de Tereza empalideceu, e os dedos dela apertaram a ponta da roupa sem querer.

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