Tereza observou aquele circo e achou tudo ridículo de repente.
Durante três anos, ela tinha mantido a compostura com todo cuidado e preservado a sua dignidade engolindo insultos em silêncio. Tudo isso foi destruído naquele exato momento. Ela parecia uma piada, parada ali, sendo observada, discutida e julgada pela multidão.
Ela deu um passo à frente, com a voz assustadoramente calma:
— Mãe, Adilson, continuem o passeio. A Bia e eu já vamos.
— Tereza... — Adilson tentou detê-la; havia uma emoção em sua voz que ela nunca tinha escutado.
Mas Tereza já tinha se virado. Ela segurou no braço de Beatriz e disse baixo:
— Bia, vamos embora.
Berta olhou para as costas dela e um toque de orgulho cruzou seus olhos, mas o rosto continuava com aquela expressão de pena:
— Adilson, vai logo atrás da Tereza. A culpa foi minha, eu não devia ter saído... Eu só queria passear com o Erasmo, não achei que fosse acabar assim...
Dona Giovana segurou o filho:
— Atrás do quê! Deixa ela ir! Berta, não se culpe, quem devia ir embora era ela!
Beatriz virou-se, lançou um olhar frio para Berta e gesticulou com os lábios duas palavras: "Vadia sonsa."
Berta viu, o rosto perdeu a cor e ela chorou ainda mais.
Saindo da área de brinquedos, os olhares das pessoas ainda furavam suas costas como agulhas. Tereza manteve as costas eretas e caminhou passo a passo. Os saltos batiam no chão de mármore e faziam um som nítido.
Beatriz ia ao seu lado, pedindo desculpas em voz baixa:
— Tereza, me desculpa, eu fui impulsiva agora pouco, não devia ter falado aquilo...
— Não tem problema. — Tereza disse. — Mais cedo ou mais tarde todo mundo ia ficar sabendo mesmo.
— Mas...
— Bia, — Tereza a interrompeu, com o olhar muito calmo — Se um cachorro te morder, você vai reverter e morder ele também?
Beatriz travou.
— Ela gosta de atuar, então deixe ela atuar. — Tereza olhou para o próprio reflexo na porta do elevador: um rosto excepcionalmente decidido. — Afinal... logo não será mais da minha conta.
As duas entraram no elevador. As portas de metal se fecharam lentamente, isolando os olhares e comentários do lado de fora.
No elevador só estavam as duas. Estava tão silencioso que dava para escutar as próprias batidas do coração.
Beatriz olhou para o perfil calmo dela e de repente entendeu.
Aquela calma não era fraqueza, não era submissão, mas sim o descaso de quem havia deixado tudo para trás. Como uma árvore que passou por tempestades e teve os galhos quebrados, mas cujas raízes continuam fundas na terra, esperando a próxima primavera.
— Tereza — ela perguntou baixinho, e a voz soou nítida no espaço fechado. — Você realmente... não o ama mais?
Tereza ficou em silêncio por um bom tempo.
O elevador desceu lentamente do terceiro andar. Os números mudavam, como uma contagem regressiva.
Então ela sorriu. O sorriso foi leve, mas muito real:
— Já gostei. Mas agora, não gosto mais.
Ela disse bem baixo, mas com muita firmeza.


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