Capital, três da tarde.
Vitor Drummond estava sentado na sala de reuniões com um grosso rascunho de contrato aberto à sua frente. A luz do sol entrava pelas janelas do chão ao teto, lançando luzes e sombras em seu perfil.
A sala de reuniões estava muito silenciosa, apenas com o som ocasional de páginas sendo viradas. Algumas pessoas da parte colaboradora estavam sentadas do outro lado, discutindo algo em voz baixa.
O celular vibrou.
Vitor olhou para baixo; era uma mensagem criptografada.
Ele abriu e seus olhos passaram pelas linhas de texto:
[Encontrado. Íris é Tereza Viana, natural da Capital, especialista em cardiologia, conhecida no mundo médico como "Dra. Rose". Ao mesmo tempo, trabalha com design de joias sob o nome de "Íris", e esta noite ganhou o prêmio de melhor design do ano no Grande Prêmio Internacional de Design de Joias em Paris. Tem laços com Dona Beatrice Aster e é tratada como convidada de honra.]
Vitor encarou aquelas linhas e os cantos de sua boca se curvaram lentamente.
Dra. Rose.
Mestre Íris.
Não era à toa.
Não era à toa que ela fosse tão calma, tão tranquila e tão indiferente às suas sondagens sutis.
Essa mulher era ainda mais interessante do que ele imaginava.
— Olha só — o sócio ao lado, Bento Medeiros, se aproximou e baixou a voz —, alguma beldade te mandou uma mensagem de convite? Sorrindo todo bobo assim?
Vitor guardou o celular e olhou para ele com indiferença.
— No que você pensa o dia todo?
Bento deu uma risadinha e estava prestes a dizer algo quando a porta da sala de reuniões foi subitamente aberta.
Um homem de meia-idade de terno preto entrou apressado. Era um dos responsáveis pelo escritório de advocacia do lado de Vitor, o Sr. Li.
— Pessoal — a expressão do Sr. Li era um pouco sutil —, acabei de receber a notícia de que a outra parte trocou de representante de última hora.
A sala de reuniões ficou em silêncio por um momento.
As sobrancelhas de Vitor se franziram levemente.
— Trocou por quem?
O Sr. Li olhou para ele e respirou fundo:
— Grupo Ferreira. Roberto Ferreira veio pessoalmente.
As pupilas de Vitor se contraíram ligeiramente.
Foi apenas por um instante, rápido demais para alguém notar.
Então ele baixou os olhos, o tom tão calmo como se nada tivesse acontecido:
— Certo. O contrato precisa ser alterado?
O Sr. Li balançou a cabeça: — Os termos específicos não devem mudar muito, mas como ele veio, teremos que revisar tudo de novo.
Assim que ele terminou de falar, a porta da sala de reuniões foi aberta novamente.
Várias pessoas entraram em fila.
Na frente, caminhava um homem de cinquenta e poucos anos. Ele vestia um terno cinza-escuro, o cabelo impecavelmente penteado, o rosto imponente e o olhar afiado.
Roberto Ferreira.
O líder do Grupo Ferreira, pai de Adilson.
Vitor permaneceu sentado, observando-o entrar.
Aquela silhueta, aquele rosto, aquela forma de andar…
Ele reconhecia cada detalhe daquilo.
Mais de vinte anos.
Em inúmeras madrugadas, olhando para a foto amarelada deixada por sua mãe, ele havia traçado aquele rosto repetidas vezes.

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