Sua voz era firme, seu pensamento era claro e sua atitude era profissional.
Não havia nenhuma falha.
Mas sua mente estava cheia dos últimos dias de sua mãe.
Magra, só pele e osso, mas ainda murmurando: "Seu pai não era esse tipo de pessoa... ele não nos abandonaria..."
O olhar de Vitor recaiu sobre Roberto à sua frente.
Ele estava discutindo algo em voz baixa com o diretor jurídico, com as sobrancelhas levemente franzidas e uma expressão concentrada.
Este homem era seu tio.
O irmão biológico do seu pai.
E também o homem que, segundo os rumores, havia matado seu pai.
Vitor se lembrou de sua mãe dizer que, após a morte de seu pai, Roberto a procurou.
Mas naquela época ela já estava escondida e não o viu.
Ela não sabia se aquele tio tinha vindo para ajudá-la ou para cortar o mal pela raiz.
Vitor baixou os olhos.
Ele também não sabia.
Mas ele tinha certeza de que a morte de seu pai estava relacionada a eles.
Porque ele havia descoberto que, na noite do acidente de seu pai, alguém viu Roberto aparecer, e os dois até discutiram.
Vinte e cinco anos.
Por essa resposta, ele esperou quase vinte e cinco anos.
——
A negociação durou três horas.
Às seis da tarde, as duas partes finalmente chegaram a um acordo.
O Sr. Li se levantou e apertou a mão de Roberto.
— Sr. Ferreira, foi um prazer fazer negócios.
Roberto assentiu: — Sr. Li, bom trabalho.
Ele se virou para Vitor e seu olhar parou novamente no rosto dele.
— Dr. Drummond — ele disse —, os jovens de hoje são impressionantes.
Vitor assentiu levemente: — O senhor me lisonjeia.
Roberto olhou para ele e ficou em silêncio por um segundo.
Então ele estendeu a mão.
Vitor apertou a mão dele.
No momento em que as duas mãos se encontraram, Vitor sentiu que o olhar de Roberto, como uma faca, raspou cuidadosamente seu rosto.
Ele não demonstrou nada no rosto, mas uma onda avassaladora de ódio surgiu em seu peito.
Um ódio reprimido por vinte e cinco anos.
Naquele momento, agitava-se em seu peito.
Ele morria de vontade de gritar para o homem que estava à sua frente: como o meu pai morreu? Você matou o seu próprio irmão apenas para tomar conta da herança da família?
Mas ele não disse nada.
Ele apenas soltou a mão, deu um passo para trás, ainda com um sorriso educado no rosto.
— Vá com cuidado, Sr. Ferreira.
Roberto olhou para ele com um olhar complexo.
Então ele assentiu e saiu com seu pessoal.
——
A porta da sala de reuniões se fechou.
A sala ficou silenciosa.
O Sr. Li soltou um longo suspiro e deu um tapinha no ombro de Vitor.

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