— Tereza.
A voz de Caio não era alta, mas chegou claramente aos ouvidos de Tereza.
Ela levantou a cabeça e olhou para ele.
O rosto dele estava levemente vermelho, e parecia haver finas gotas de suor em sua testa. Aqueles olhos, normalmente frios, agora carregavam uma urgência e inquietação indescritíveis.
As sobrancelhas de Tereza se franziram levemente.
— O que foi? — ela perguntou.
Caio abriu a boca, querendo dizer algo, mas descobriu que sua voz parecia estar bloqueada por alguma coisa.
Ele olhou para Charles e Alain ao lado, os dois idosos o observavam com olhares avaliadores. Ele também olhou para os olhares curiosos ao redor, para as pessoas que sussurravam.
Sua garganta secou.
Mas ele ainda assim falou, com a voz tão baixa que só Tereza podia ouvir:
— Você poderia... não escolher outros?
Tereza congelou por um momento.
— O quê?
Ela não tinha ouvido direito.
Henri estava a alguns passos atrás de Caio, tendo o seguido por medo de que o amigo fizesse alguma besteira. Naquele momento, ele ouviu claramente a frase, e seus olhos quase pularam para fora.
Que raio é isso?
Não escolher outros?
Esse era mesmo o Caio? O cara que tomava decisões duras no mundo dos negócios e nunca baixava a cabeça numa negociação?
Esse era o Caio que ele conhecia há mais de dez anos, que sempre tinha um rosto frio?
Será que ele tinha perdido o juízo por causa dela?
Caio ignorou o olhar chocado do amigo atrás dele. Ele respirou fundo, como se estivesse reunindo a maior coragem de sua vida, e sua voz de repente subiu de tom:
— Pode não escolher outros? Eu dou conta!
A voz foi tão alta que o salão inteiro pôde ouvir.
O lugar ficou em silêncio instantaneamente.
O silêncio era tão profundo que se ouvia o zumbido de uma mosca no ar.
Todos se viraram e olharam para lá.
Aquele jovem que antes seguia Charles, agora estava na frente de Íris, gritando ansiosamente algo sobre "não escolher outros".
O que isso significava?
O que era não escolher outros?
Tereza tinha acabado de pegar o suco oferecido por um garçom ao lado e dado um gole.
E então ouviu aquela frase.
— Pfft...
Ela cuspiu todo o suco, bem em cima do Caio. Imediatamente, uma mancha amarelada apareceu no terno cinzaescuro caro que ele usava.
Tereza segurou o copo, olhando para ele, com o canto da boca tremendo.
— O que você está dizendo?
Caio olhou para o suco em si mesmo, mas parecia não ter notado. Ele levantou a cabeça, olhou para Tereza, tão sério como se estivesse fazendo um relatório de negócios:
— O Sr. Alain disse agora pouco para você escolher à vontade, e se um não fosse suficiente, escolher vários. — ele falou rápido. — Eu não quero que você escolha outros. Eu também sirvo.
O salão inteiro prendeu a respiração.
Seria isso… uma proposta de casamento? Bem na frente do Charles! Na frente do patriarca da família Montebello!
Caio continuou, falando ainda mais rápido:


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