Tereza estava prestes a dizer algo quando Charles falou.
— Querida, — ele chamou Tereza pelo apelido, com um tom de riso. — Você não precisa de dinheiro. Esse dinheirinho todo dele, você provavelmente não daria a mínima importância. Além disso, todos os meus bens serão seus no futuro.
O rosto de Caio empalideceu.
Esse dinheirinho dele?
Centenas de bilhões em ativos, aos olhos do avô dela, eram apenas "esse dinheirinho"?
Ele lembrou que tinha acabado de falar todo sério sobre o faturamento, o lucro líquido e os seus bens, e de repente se sentiu um completo idiota.
Charles olhou para o estado dele, e o sorriso em seus olhos se aprofundou.
Tereza virou-se para Charles, vendo a expressão dele de quem estava assistindo a um show. Para evitar que ele dissesse mais alguma frase chocante, ela o interrompeu diretamente, com um toque de impotência na voz:
— Vovô, tá bom, não diga mais nada.
Charles ergueu uma sobrancelha, e seu olhar alternou entre ela e Caio.
— O que foi? — Havia um toque de ciúme na voz dele. — Você já está defendendo ele?
Tereza congelou por um momento.
Defendendo?
Ela não estava defendendo!
Ela só achava que não era legal o avô dela atacar as pessoas daquele jeito...
Charles já havia virado a cabeça para olhar para Caio.
Caio ainda não havia se recuperado do choque e estava parado ali, atônito.
Charles olhou para ele e de repente falou:
— Você, venha comigo.
Caio levantou a cabeça e olhou para ele, confuso.
Charles continuou: — Deixe-me avaliá-lo. Passe pelo meu teste primeiro.
Tereza abriu a boca, querendo explicar que ela e Caio não tinham esse tipo de relacionamento...
— Tudo bem, Querida, — Charles a interrompeu. — Vou avaliá-lo primeiro.
Depois de dizer isso, ele se apoiou na bengala e caminhou lentamente para a frente.
Deu dois passos, virou-se e olhou para Caio novamente.
— O que está esperando? Me siga.
Caio finalmente reagiu.
Ele estava prestes a seguir, quando uma mão se estendeu por trás e deu um tapinha nele.
— Caio! Rápido! O Charles mandou você seguir!
Era a voz de Henri.
Caio assentiu e o seguiu rapidamente.
—
Tereza ficou parada, observando as costas do velho e do jovem, e balançou a cabeça impotente.
Ela se virou, seu olhar varreu a multidão e pousou em um canto.
Beatriz estava sentada no sofá, com Louis ao lado dela.
Tereza acenou para ela.
Beatriz se levantou imediatamente e caminhou rapidamente até ela.
— Tereza! — ela abraçou Tereza. — Você me assustou até a morte! Quando aqueles guarda-costas estavam com armas agora pouco, minhas pernas ficaram bambas!
Tereza deu um tapinha nas costas dela e sorriu.
— Já passou.
Beatriz a soltou, olhou na direção em que Charles havia saído e baixou a voz: — Aquele Charles... é seu avô?
— De consideração. — Tereza disse. — Eu o salvei, e desde então ele me trata como neta.
Beatriz prendeu a respiração.
— Você... quantas pessoas você conhece?
Tereza sorriu e não respondeu.
Ela segurou a mão de Beatriz e disse: — Mais tarde, o Louis vai te levar de volta para o hotel.

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