O rosto de Caio ficou cada vez mais sombrio.
Renan finalmente percebeu o olhar mortal do chefe pelo espelho retrovisor.
Sua voz parou abruptamente.
O suor frio em suas costas encharcou a camisa instantaneamente.
— Hum... — ele engoliu em seco, forçando um sorriso mais feio que choro. — Sr. Mendes, não foi isso que eu quis dizer... Eu quis dizer que uma mulher desse nível, claro que só o senhor é digno dela!
Caio não disse nada, apenas continuou a olhar para ele com aquele olhar.
Renan tentou consertar desesperadamente: — Pense bem, a Dra. Tereza é tão incrível, os padrões dela com certeza são altos. Se ela gosta do senhor, isso mostra que o senhor é o melhor! Agora pouco no salão, ela não olhou para trás para o senhor? Aquele olhar, tsc tsc, cheio de amor...
O rosto de Caio melhorou um pouco.
Renan continuou a falar: — E aquelas palavras que o senhor disse agora pouco, tão sinceras! Todos os bens, filhos com o sobrenome da mulher, sair sem nada em caso de traição... que homem teria coragem de dizer isso? Só o senhor! O senhor a ama de verdade, não está interessado no que ela tem!
O canto da boca de Caio se curvou levemente em um sorriso.
Vendo que estava funcionando, Renan se empolgou ainda mais: — Além disso, o senhor também não fica atrás! Família Mendes de Cidade S, centenas de bilhões em ativos, estrela em ascensão, jovem talento! O senhor mal chegou aos trinta e já tem essas conquistas, daqui a alguns anos, quem sabe?
O rosto de Caio finalmente voltou ao normal.
Ele se encostou no banco, e a curva em sua boca se aprofundou um pouco mais.
Renan suspirou aliviado, dando a si mesmo um joinha mental.
Essa bajulação merecia nota dez.
—
O carro continuou a avançar.
O carro clássico à frente virou em uma avenida arborizada ainda mais larga.
O olhar de Caio pousou do lado de fora da janela.
E então seus olhos se arregalaram lentamente.
Diante dele havia uma enorme propriedade.
Não, usar a palavra "propriedade" era modéstia demais.
Era um território vasto, sem fim à vista.
O portão principal tinha dez metros de altura, todo preto, com o brasão da família esculpido em detalhes complexos, brilhando com uma luz fria na noite. Dos dois lados do portão, havia duas filas de guardas de roupa preta. Todos tinham mais de um metro e noventa de altura, e dava para ver as armas na cintura deles.
Não, não eram armas comuns.
Caio reconheceu o modelo: HK416 de fabricação alemã, padrão de forças especiais.
Aqueles guardas não eram guarda-costas comuns.
Eram mercenários.
A mão de Renan tremeu.
— Sr. Mendes... — sua voz falhava. — Aqueles guardas... são forças especiais?
Caio não disse nada, mas seus dedos se apertaram novamente.
O carro entrou pelo portão.
Diante deles havia uma avenida larga, ladeada por jardins franceses perfeitamente podados. A cada cinquenta metros havia um poste de luz clássico, iluminando toda a estrada como se fosse dia.
Mas esse não era o ponto principal.
O ponto principal eram as pessoas patrulhando a estrada.
Um esquadrão, dois esquadrões, três esquadrões...


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