Adilson não disse nada, apenas olhou para ele.
Aquele olhar era frio como gelo.
As defesas psicológicas de Dante desmoronaram completamente. Ele tremia todo, e lágrimas e sangue se misturavam, escorrendo por seu rosto.
— N... nós queríamos... — Ele gaguejou. — Queríamos tirar fotos... depois de tirar as fotos, ela não ousaria contar a ninguém... e então...
— E então o quê?
— E então... fazer com que ela ficasse com o Enzo... — A voz de Dante ficou cada vez mais baixa. — Assim a família do Enzo poderia se aproximar da família Ferreira...
O quarto ficou assustadoramente silencioso.
Adilson se levantou.
Ele caminhou até Enzo e olhou para ele de cima para baixo.
— O que ele disse é verdade?
Enzo balançou a cabeça desesperadamente: — Não, não! Foi ideia dele! Foi ele! Eu só fiquei confuso por um momento...
Adilson não disse nada.
Ele apenas ficou parado ali, olhando para aquelas duas pessoas.
Não ousava imaginar o que teria acontecido se eles tivessem tido sucesso!
A vida inteira de Isadora quase foi destruída por esses dois lixos.
Ele fechou os olhos.
Quando os abriu de novo, naqueles olhos, não havia nenhum traço de calor.
—
Ele caminhou até Dante, curvou-se, agarrou o colarinho dele e o levantou.
Os pés de Dante saíram do chão, a garganta emitiu sons engasgados, e o rosto ficou roxo.
Adilson olhou nos olhos dele.
— Sabe o que eu mais odeio?
Dante balançou a cabeça desesperadamente.
— O que eu mais odeio — ele disse palavra por palavra — é quando alguém mexe com as pessoas ao meu redor.
A voz dele era muito leve, tão leve como se estivesse dizendo que o tempo estava bom hoje.
Então ele soltou a mão, e Dante caiu pesadamente no chão, como um cachorro morto.
Adilson se virou e pegou um cano de ferro no canto.
Aquele cano de ferro estava coberto de ferrugem e também tinha manchas de sangue seco.
Ele o segurou na mão e pesou-o.
Então caminhou em direção a Dante.
—
Gritos ecoaram no quarto.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Cada impacto vinha acompanhado do som de ossos se quebrando.
Enzo se encolheu no canto, tremendo todo, com os olhos arregalados. Ele viu Adilson bater uma vez após a outra, viu Dante ir de se debater a ficar imóvel, viu o sangue espirrar na parede, espirrar no chão, espirrar naquele homem.
Ele nunca tinha sentido tanto medo.
Aquele homem de terno e gravata visto nas notícias financeiras, o CEO da família Ferreira admirado por tantas pessoas, naquele momento parecia ter perdido completamente o controle de si mesmo.
Dante já não fazia mais som.
Adilson parou e soltou a mão. O cano de ferro caiu no chão, emitindo um som surdo.

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