O carro se afastou daquela área caótica, e a paisagem do lado de fora da janela voltou gradualmente ao normal. As ruas estavam limpas, os postes de luz estavam acesos, e o ar não tinha mais aquele cheiro de podridão.
Adilson estava sentado no banco de trás segurando Isadora, e a garota dormia tranquilamente em seus braços, com a respiração uniforme. O rosto dela ainda carregava a palidez após o terror, e os cílios tremiam levemente, como se estivesse sonhando.
— Dirija mais rápido. — Adilson disse, com a voz rouca.
Marcos pisou no acelerador, e o carro acelerou em direção ao hotel.
—
Hotel Shangri-La, quarto 1707.
Adilson colocou Isadora na cama e a cobriu com o cobertor. A garota se moveu, murmurou algo ininteligível e voltou a dormir profundamente.
A campainha tocou.
Marcos abriu a porta, e um homem de meia-idade de jaleco branco entrou, segurando uma maleta médica.
— Sr. Ferreira, sou o médico residente do hotel.
Adilson assentiu e cedeu o lugar.
O médico foi até a cama, abriu as pálpebras de Isadora para olhar e também mediu o pulso e a pressão arterial. Os movimentos dele foram muito leves, mas Isadora ainda franziu a testa e virou a cabeça para o lado.
— Não é um grande problema. — O médico guardou o estetoscópio. — Deram sonífero para ela, a dose não foi grande, vai ficar bem depois de dormir. Beba muita água amanhã quando acordar, para acelerar o metabolismo. Se não se sentir seguro, pode ir ao hospital para fazer um exame de sangue depois de acordar.
Adilson ficou em silêncio por um segundo.
— Quando ela vai acordar?
O médico olhou para o relógio: — O efeito do remédio vai durar mais umas oito ou nove horas, no máximo até amanhã de manhã.
Adilson assentiu.
O médico guardou as coisas, deixou algumas caixas de remédio e se despediu.
O quarto ficou em silêncio.
Adilson ficou ao lado da cama, olhando para o rosto pálido de Isadora, e ficou em silêncio por um longo tempo.
— Marcos.
— Sim.
— Fique aqui e cuide dela. Entre em contato comigo a qualquer momento se houver alguma situação.
Marcos se surpreendeu por um momento.
— Sr. Ferreira, aonde o senhor vai?
Adilson não respondeu. Ele se virou e saiu do quarto, e a porta se fechou suavemente atrás dele.
Marcos ficou parado no lugar, olhando para aquela porta fechada, e um mau pressentimento surgiu em seu coração.
—
A noite já estava avançada.
O carro entrou novamente naquela terra sem lei.
Desta vez, não havia Marcos, apenas Adilson sozinho.
Ele estacionou o carro na porta do hotel, empurrou a porta e desceu. A luz do luar estava coberta por nuvens escuras, e tudo ao redor estava escuro. Apenas aquela lâmpada amarelada na porta do hotel balançava ao vento, emitindo um zumbido de eletricidade.
Aquele homem de jaqueta preta saiu das sombras.

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