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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 419

Ele arranjaria alguém diretamente e depois contaria o resultado a ela.

Os dedos de Tereza se apertaram levemente.

— Não precisa. — Ela disse.

Charles ergueu uma sobrancelha.

— Tem certeza?

Tereza assentiu.

— Tenho.

Charles olhou para ela e ficou em silêncio por alguns segundos.

Então ele sorriu.

Aquele sorriso voltou a ser o daquele velho bondoso.

— Tudo bem, se você diz que não precisa, então não precisa.

Ele se encostou no sofá, com um tom tão casual como se estivesse conversando sobre o tempo.

— Se fosse antes, eu provavelmente já teria arranjado alguém direto. Mas agora...

Ele fez uma pausa e olhou para baixo para as próprias mãos.

Aquelas mãos velhas estavam cheias de rugas e com as veias saltadas.

— Estou prestes a ser bisavô — ele disse, com a voz muito leve —, não posso assustar o meu precioso bisneto.

Tereza olhou para ele, sem ter o que dizer.

Ela realmente não tinha como refutar esse motivo.

Charles olhou para ela mais uma vez.

— Não precisa mesmo?

Tereza balançou a cabeça.

Ela abaixou a cabeça e continuou a olhar para o celular.

Mas na mente, uma cena passou como um flash —

Foi há muito, muito tempo.

Ela tinha uns três ou quatro anos e caiu na piscina de casa. A água entrou pelo nariz e pela boca, ela se debateu desesperadamente, mas afundou cada vez mais.

Foi Adilson quem pulou e a tirou de lá.

Naquela época ele também tinha só uns seis ou sete anos, era magrinho e pequeno, e não se sabe de onde tirou força. Ele a abraçou e nadou para cima, segurando firmemente o colarinho dela, e a empurrou para fora da água.

Ela mesma não teve nada de grave, só engasgou com um pouco de água e chorou.

Ele, porém, ficou de cama por vários dias, com febre alta, delirando de febre.

As duas famílias até brincaram por causa disso, dizendo que, pela graça de salvar a vida, ela deveria se casar com ele.

E mais tarde eles realmente se casaram.

E depois disso, as coisas ficaram como estão agora.

Tereza fechou os olhos.

Deixa para lá.

Tudo já passou.

—

Na cozinha, Caio estava de avental, parado na frente do fogão.

O óleo na panela já estava quente, e ele colocou alho picado e pimenta seca com habilidade, e o aroma se espalhou em um instante.

O mordomo estava ao lado, olhando para os movimentos dele, com os olhos cheios de apreciação.

— Sr. Mendes, há quanto tempo o senhor pratica essa habilidade?

Caio assentiu.

— Pratiquei por alguns dias.

— Alguns dias? — O mordomo ficou surpreso. — Não parece. Esse corte, esse controle do fogo, não dá para aprender sem alguns anos de prática.

Caio não respondeu.

Ele apenas olhou concentrado para a comida na panela, como se estivesse lidando com algum trabalho importante.

Realmente não foram alguns anos.

Apenas alguns dias.

Mas naqueles dias, ele dormia apenas algumas horas por dia, teve vários cortes de faca nas mãos e várias bolhas de óleo espirrado.

Mas agora, nada disso importava mais.

Desde que ela gostasse de comer.

—

Quarenta minutos depois, a comida foi servida.

Quatro pratos e uma sopa, todos pratos caseiros leves. Batatas ao Vinagrete Picante, robalo no vapor, brócolis com alho, sopa de tomate com ovo e um prato de pepino em conserva.

Caio saiu segurando o último prato e o colocou na mesa.

Ele levantou a cabeça e encontrou o olhar de Tereza.

Ela não se sabe quando tinha abaixado o celular e estava olhando para ele.

Naquele olhar, havia algo que ele não conseguia entender.

— Podem comer. — Ele disse.

Tereza assentiu e pegou os hashis.

Ela pegou um pouco de batata com os hashis e colocou na boca.

Mastigou.

Então levantou a cabeça e olhou para ele.

— Está melhor do que a porção que foi entregue de manhã.

Os olhos de Caio brilharam.

O mordomo sorriu ao lado sem dizer nada.

Charles estava sentado no lugar principal, olhou para os dois e balançou a cabeça.

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