O carro seguia de forma suave pelas ruas daquela tarde.
Dentro do veículo estava silencioso; ouvia-se apenas o leve zumbido do ar-condicionado e o som ocasional do trânsito lá fora. Tereza estava recostada no banco do passageiro, com o olhar fixo na paisagem urbana que recuava rapidamente pela janela. O perfil do seu rosto estava calmo, mas Caio notou que os dedos dela não paravam de acariciar inconscientemente a borda do celular.
— Dra. Tereza, — Caio quebrou o silêncio, com a voz estável. — Obrigado por cuidar do meu avô antes.
Tereza desviou o olhar da janela e virou-se para ele: — Fico feliz que o Sr. Mendes esteja se recuperando bem. O plano de reabilitação posterior já foi todo organizado pelo hospital.
— Eu sei. — Caio assentiu. — Mais tarde o diretor me mostrou o plano completo de recuperação pós-operatória. Muitas das recomendações que você fez estão inclusas nele.
Ele estava dizendo a verdade. Naquela manhã, quando foi visitar o avô, o diretor fez questão de apresentar um plano detalhado de recuperação pós-operatória, que incluía não apenas o tratamento padrão da medicina ocidental, mas também orientações da medicina tradicional oriental, muito bem estruturadas e detalhosas. O diretor havia dito que muitos daqueles detalhes tinham sido acrescentados por Tereza.
— É o meu dever. — Tereza respondeu com o tom calmo. — Pacientes idosos precisam de uma combinação de medicina ocidental e oriental para a recuperação pós-operatória, os resultados são melhores.
Ela falou de maneira técnica, adotando completamente a postura de uma médica.
Caio a observou pelo espelho retrovisor. Ela usava um sobretudo bege claro, o cabelo longo solto, o rosto sem maquiagem, com uma aparência muito limpa. Mas, olhando de perto, era possível notar que os cantos dos olhos dela estavam levemente avermelhados; embora não fosse óbvio, não escapou dos olhos dele.
Antes, no lado de fora do prédio do Grupo Ferreira, quando a viu saindo pela porta giratória, as costas dela estavam retas e os passos firmes, mas os dedos que seguravam o celular estavam levemente brancos. Naquele momento ele soube que a experiência dela no Grupo Ferreira não tinha sido agradável.
— Dra. Tereza, — ele ponderou antes de falar —, se precisar de alguma ajuda...
— Não precisa. — Tereza o interrompeu, a voz ainda calma. — Eu mesma posso resolver as coisas entre mim e Adilson.
Ela falou rápido demais, rápido como um reflexo condicionado.
Caio ficou em silêncio. Ele não era do tipo que gostava de investigar a privacidade alheia, mas agora, olhando para essa mulher aparentemente calma, porém claramente reprimindo emoções, ele sentiu de repente um sentimento indescritível.
O carro passou por um cruzamento e, enquanto esperava no sinal vermelho, Caio olhou para o GPS: — Faltam vinte minutos para chegarmos ao escritório de advocacia que você indicou.

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