— Não deu tempo? — Adilson deu uma risada fria, o som cheio de ironia e descrença. — Você estava tão perto, e não deu tempo? Tereza Viana, até para mentir é preciso ensaiar!
Berta agarrou firmemente o braço de Adilson, chorando copiosamente: — Adilson, não diga mais nada... O importante agora é levar o Erasmo para o hospital... A culpa é toda minha, eu não deveria tê-lo trazido... Tereza, eu sei que você não gosta de mim, nem do Erasmo... mas a criança é inocente...
A cada palavra dela, o rosto de Adilson escurecia um pouco mais.
— Hugo! — Ele se levantou com a criança nos braços; o sangue já havia encharcado uma grande parte do tecido de seu peito. — Vá buscar o carro! Para o hospital agora!
— Sim! — Hugo, com uma expressão grave, correu para o elevador enquanto tirava o celular do bolso.
Adilson saiu a passos largos carregando Erasmo, que não parava de chorar. Ao passar por Tereza, ele sequer olhou para ela novamente, deixando apenas uma frase fria:
— Se acontecer alguma coisa com o Erasmo, Tereza, eu não vou perdoá-la.
Berta o seguiu cambaleando e, ao passar ao lado de Tereza, virou ligeiramente a cabeça.
No rosto ainda úmido pelas lágrimas, naqueles olhos molhados, passou rapidamente um brilho quase de vitória, impossível de esconder. Ela baixou a cabeça, de modo que só Tereza conseguisse ouvir sua voz, e sussurrou devagar com um ar de vitória: — Você nunca vai conseguir competir comigo.
A voz continuava suave e até embargada pelo choro, mas a arrogância e provocação envenenadas dentro dela soaram como o chiado frio de uma cobra.
Tereza ficou onde estava, observando o grupo desaparecer apressado no elevador.
O choro de Erasmo se distanciou, e a poça de sangue no tapete parecia ainda mais chamativa sob a luz do sol. No ar ainda restava o cheiro doce de biscoitos misturado a um leve odor de sangue.
Na porta da secretaria, várias funcionárias espiaram, com olhares complexos — alguns de pena, outros de curiosidade, e alguns de desprezo indisfarçável.
Tereza virou-se devagar, saiu do escritório passo a passo e entrou no elevador.
A parede espelhada refletia seu rosto pálido e calmo. Mas, observando com atenção, seus dedos tremiam levemente, e seu lábio inferior trazia uma marca branca fina de ter sido mordido.
O elevador desceu.
No saguão do primeiro andar, a recepcionista a viu descer sozinha e seu olhar ficou ainda mais complexo. Algumas pessoas pareciam querer dizer algo, mas acabaram abaixando a cabeça para fingir que estavam ocupadas.
Tereza atravessou o saguão silencioso e empurrou a pesada porta giratória.
A luz do sol daquela manhã de outono derramou-se sem barreiras, fazendo-a apertar os olhos.
O celular vibrou no bolso; ela o pegou, era Beatriz.

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