Seis da tarde, Restaurante Jardim das Lótus, na zona sul da cidade.
Era um restaurante escondido no fundo de uma ruela, com paredes brancas, telhas escuras, portas de madeira e maçanetas de latão, com duas lanternas vermelhas penduradas na entrada. Ao empurrar a pesada porta de madeira, o interior revelava o estilo clássico de um pátio chinês: pontes pequenas, água corrente e sombras de bambu. As salas privativas tinham todas nomes de flores.
— Foi o Dr. Santos que reservou, a sala privativa Orquídea. — disse Beatriz ao garçom que os recebeu.
— Por aqui, por favor.
Atravessando os corredores sinuosos, os três foram levados a uma sala próxima à água. Ao abrir as portas de madeira esculpida, o espaço interno não era grande, mas a decoração era elegante. Havia uma pintura a tinta de orquídeas na parede, alguns vasos de bambu-da-sorte perto da janela, e os talheres já estavam dispostos sobre a mesa redonda de sândalo.
— O ambiente é bom. — Renato puxou a cadeira para as duas mulheres. — Este lugar foi fortemente recomendado por um colega da faculdade. Eles preparam pratos típicos da região sul-oriental, muito leve, ideal para o gosto da Sra. Tereza.
— Obrigada pela atenção, Dr. Santos. — Tereza sentou-se, o olhar passando pela montanha artificial e a água corrente do lado de fora da janela.
A comida chegou rapidamente. Robalo no vapor, camarão com chá Longjing, tofu com ovas de caranguejo, acelga no caldo de galinha, sopa de cogumelos; todos pratos refinados e com sabor do sul. Renato pediu um bule de chá Biluochun e não pediu álcool.
— Vamos lá, um brinde com chá no lugar do vinho. — Beatriz ergueu a xícara. — Ao divórcio bem-sucedido da Tereza, e a um novo começo!
As três xícaras de chá bateram suavemente.
No meio da refeição, o celular de Tereza vibrou. Ela olhou para a tela; era uma mensagem do Sr. Roberto: "Tereza, estou em casa te esperando. Cuidado no caminho."
Ela respondeu: "Certo, Sr. Roberto, chego por volta das sete e meia."
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Beatriz.
— Marquei com o Sr. Roberto às sete e meia. — Tereza abaixou o celular. — Depois de comer, vou direto para lá.
Renato colocou um pedaço de peixe no prato dela: — Tereza, você trouxe o acordo de divórcio?
— Trouxe. — Tereza tirou aquele acordo simples da bolsa. — Quero pedir para ele tentar aconselhar o Adilson. Se ele assinar, as coisas ficarão muito mais simples.
— Espero que sim. — Renato ajeitou os óculos. — Mas esse Adilson... já estive com ele algumas vezes. Ele é muito teimoso e não é de ser convencido facilmente.
— Eu sei. — Tereza respondeu em voz baixa. — Mas é a última opção que consigo imaginar. Não quero recorrer a outras medidas, terminar em paz é o ideal.
A sala ficou em silêncio, ouvindo-se apenas o barulho da água do lado de fora e uma melodia suave de instrumento de cordas tradicional tocava ao fundo.
De repente, um tumulto começou lá fora.
Primeiro, o som de pratos e tigelas quebrando, e logo em seguida o grito angustiado de uma mulher: — Bebê! O que foi, bebê?! Socorro—!!!
Os três ficaram surpresos.
— O que aconteceu? — Beatriz se levantou.
Renato abriu a porta da sala privativa, e o salão principal estava uma confusão. Os clientes de uma mesa perto da janela estavam amontoados em volta de uma mulher que segurava um menino de uns três ou quatro anos, chorando desesperadamente. A criança estava com o rosto roxo, os lábios cianóticos, os olhos virados para trás, e os braços e pernas se contorciam involuntariamente.
— Ele, ele estava comendo uma almôndega e... de repente... — A mulher falava de forma desarticulada. — Socorro! Alguém salve o meu filho!

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