— Eu não o empurrei. — A voz de Tereza estava tão calma quanto um lago sereno. — Erasmo caiu sozinho. Eu quis ajudá-lo, mas não deu tempo.
— Não deu tempo? — A voz de Dona Giovana subiu abruptamente. — Tantos olhos olhando, e você ainda quer dar desculpas?!
— O escritório tem câmeras de segurança. — Tereza disse palavra por palavra. — Podem pegar as gravações para olhar.
Essas palavras caíram como uma bomba. A sala caiu num silêncio assustador no mesmo instante.
Adilson franziu a testa ainda mais. Berta segurou a criança com um pouco mais de força, mas seu rosto manteve a expressão vulnerável e coitada, encostando-se até um pouco mais perto de Adilson.
O rosto de Dona Giovana mudou por um instante e logo ela mostrou um sorriso de deboche que beirava a presunção: — Câmeras? Ah, você diz isso porque deve saber que o sistema de segurança da sala do Adilson está em manutenção nestes dias, não é?
As pupilas de Tereza se contraíram levemente.
Manutenção... das câmeras?
Que coincidência estranha, não é mesmo?
Seu olhar percorreu lentamente todos os presentes na sala. Dona Giovana tinha o rosto coberto de sarcasmo, os olhos revelando um desprezo escancarado; Berta estava de cabeça baixa, sendo submissa, mas o quase imperceptível curvar de seus lábios a traiu; Adilson permaneceu em silêncio, os dedos acariciando inconscientemente o braço do sofá.
E Erasmo... aquele menino de dois anos se agarrava firmemente às roupas de Berta, escondendo o rosto no peito da mãe, enquanto mostrava apenas aqueles olhos tímidos espiando furtivamente para ela. Naquele olhar, havia o medo instintivo de uma criança, a confusão típica da idade e um toque de... hostilidade, já impregnada pelas emoções dos adultos.
Tereza sentiu, de repente, um grande cansaço.
Não era tristeza nem raiva, mas uma exaustão que invadia até os ossos.
Ela olhou para aquele grupo na sala — sua sogra no nome, o marido no papel, a amante do marido e o filho ilegítimo.
Que família mais completa.
E ela, do início ao fim, sempre foi a intrusa desnecessária.
— Mãe, — Adilson finalmente abriu a boca com a voz um pouco rouca, — não diga mais nada.
— Não diga o quê? — Dona Giovana virou a cabeça com força. — Adilson, olha só para ela! Continua dando desculpas até agora! O que a nossa família fez de errado para acabar com alguém assim na nossa vida...
— Já chega!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa