Às sete e vinte da noite, o táxi parou na entrada do Condomínio Vista da Serra.
— Moça, eu não vou entrar, o processo de registro é muito complicado. — O motorista disse com um ar de desculpas.
— Sem problemas, pode me deixar aqui mesmo. — Tereza pagou a corrida, abriu a porta e saiu.
O vento frio da noite de outono a envolveu imediatamente, trazendo o cheiro das folhas e mato seco. Ela se encolheu no seu casaco bege, segurando a pasta e caminhou em direção ao luxuoso condomínio com luzes dispersas.
O segurança da guarita de entrada a viu e imediatamente se inclinou para fora: — Sra. Tereza? A senhora voltou?
Era um rosto familiar, Percival, que trabalhava ali havia muitos anos.
— Boa noite, Percival. — Tereza acenou levemente com a cabeça.
— Ah, boa noite! — Percival correu para abrir o pequeno portão de pedestres. — Por que a senhora está indo a pé? Quer que eu chame o carro da ronda para acompanhá-la em um trecho? Ainda leva uns sete ou oito minutos para chegar na casa principal.
— Não precisa, vou andando. — Tereza recusou educadamente. — Obrigada.
Ela passou pelo portão de ferro e pisou na estrada asfaltada que levava para as profundezas do condomínio. As árvores frondosas dos dois lados farfalhavam com o vento da noite, e as lâmpadas da rua soltavam uma luz amarelada que projetava a sua sombra longa e solitária no chão.
Ela já fizera aquele caminho muitas vezes. Logo que se casou, quando era chamada de volta toda semana por Dona Giovana para as reuniões de "família", sempre fazia esse percurso sozinha. Na época, ela ficava ansiosa, imaginando como lidaria com as farpas da sogra e como poderia manter a fachada sem irritar Adilson.
Mas, com o passar do tempo, ela percebeu que não importava o que fizesse, o resultado seria sempre o mesmo.
O som de seus passos ecoava pelo caminho silencioso. Tereza andava devagar, com o olhar percorrendo os conhecidos quintais pela rota. Alguns tinham luzes calorosas acesas e era possível escutar risadas; outros estavam completamente escuros, com os donos provavelmente em eventos sociais.
Essa era a chamada comunidade da alta sociedade. Atrás de cada porta havia alegrias e sofrimentos que ninguém externo jamais conhecia.
Após cerca de sete ou oito minutos, a familiar porta de ferro forjado da casa da família Ferreira apareceu à frente.
A porta estava entreaberta e o jardim interior estava totalmente iluminado. As janelas da casa principal projetavam um brilho amarelado e aconchegante, e pelo vidro podiam ser escutadas vozes conversando e rindo; a voz suave de Berta, o som limpo da risada de uma criança, além do tom de voz elevado de Dona Giovana.

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