Ela fez uma pausa, e a sua voz ficou mais suave: — Três anos se passaram, e o Grupo Viana já tem força agora. Completei minha missão. Está na hora de me soltarem, não?
— Lhe soltar? — Ricardo contornou a mesa a passos largos e caminhou até ela, com a mão erguida para lhe dar um tapa. — Eu cuidei de você a sua vida toda só para ser desrespeitado desse jeito?!
Sua mão estava levantada no ar.
Tereza não vacilou, mas o observou bem. Tinha uma clareza e uma calma no olhar, feito espelho, e dava para ele enxergar ali a própria feição retorcida.
— Se você tiver coragem, bata. Faça logo. — Ela sugeriu.
A mão de Ricardo não obedeceu e ficou a meio caminho. Quando viu que a filha carregava a mesma essência de olhar da ex-mulher falecida, os pensamentos de anos atrás voltaram na cabeça, e ele a viu dizendo passivamente: "Ricardo, me dê o divórcio".
Naquela época, a vontade era mesma. Queria esmurrá-la pela fúria em seu peito, mas segurou o braço.
No fundo, tinha uma noção. Se descesse a mão, ele terminaria na mais completa solidão.
Ele descansou o braço aos poucos, porém a autoridade da voz se manteve intacta: — Tereza Viana, eu vou lhe dar o aviso. Se for seguir o rumo da separação, então eu e você não somos mais nada! Esqueça que pisou na família Viana um dia!
Tereza contemplou a imagem dele por um longo momento.
E, depois, expressou um leve sorriso.
— Pai. — Ela falou: — A paternidade do senhor morreu para mim no momento em que traiu a minha mãe e a empurrou para se divorciar.
Ela então bateu em retirada e se dirigiu à porta.
— Tereza Viana! — Ricardo explodiu no escritório, nas costas dela. — Pare logo aí!
Mas a porta já havia sido destrancada, e ela se mandou.
Não tinha uma alma no corredor. Só Heloísa e Murilo, que prestavam bastante atenção no que acontecia, no andar de baixo.
Tereza desceu os degraus sem pressa.

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