A sede do Grupo Ferreira exibia uma grandiosidade imponente sob a luz do sol da manhã. Tereza passou pela porta giratória e sentiu o ar-condicionado do saguão. Era a sua primeira vez ali. Durante os três anos de casamento, Adilson nunca a levou para conhecer o seu império, e ela também não fazia questão.
— Sra. Tereza — a recepcionista já havia sido avisada, então tinha uma atitude respeitosa e um pouco curiosa. — O Presidente Ferreira está aguardando. Pode pegar o elevador privativo até o sexagésimo sexto andar. —
O elevador subiu sem solavancos e o espelho refletiu o rosto calmo de Tereza. Ela usava um vestido na cor pêssego, junto de um cardigã de tricô bege, e o cabelo preso em um coque simples com um grampo de madeira. Parecia muito elegante, sem perder sua postura firme.
Um aviso sonoro tocou, e as portas do elevador se abriram.
A decoração do andar era diferente do saguão. Tinha paredes de madeira escura, tapetes de lã grossos, e um cheiro fraco de sândalo pairando no ar. Não parecia um escritório moderno, e sim a sala de estudos de um cavalheiro à moda antiga.
— Sra. Tereza, por aqui, por favor. — A secretária de Roberto era uma mulher na faixa dos quarenta anos e de aparência muito capaz. Sorriu ao guiar o caminho, enquanto analisava a visitante com discrição.
Ao passar pelo escritório aberto, Tereza pôde sentir os olhares sobre ela — de curiosidade, de análise, e alguns com um desprezo velado.
"Essa é a Sra. Ferreira? Ela parece ser gentil."
"E de que adianta isso? A Berta já voltou com um filho."
"Falaram que ela não teve filho em três anos de casada. O posto de Sra. Ferreira não vai durar."
"O que o Presidente quer com ela? Será que ela veio pedir favor?"
"E adianta pedir alguma coisa? Se o homem muda, já era..."
Tereza deixou os murmúrios para trás. Seus passos eram ritmados, e seu rosto expressava a mesma calma de quem não tinha nada a ver com as fofocas.
A secretária abriu as portas de madeira maciça. — Presidente, a Sra. Tereza chegou. —
A sala de Roberto era grande e iluminada, e suas janelas compridas exibiam o horizonte da cidade. Na prateleira de mogno atrás da mesa, havia um acervo de porcelanas antigas e, nas paredes, alguns quadros. Ele estava perto da janela em uma ligação, mas logo encerrou quando ela entrou.
— Tereza — ele deu um sorriso gentil e foi até ela. — Sente-se. —
— Sr. Roberto. — Tereza cumprimentou e se acomodou no sofá para visitantes.
— O que aconteceu? Ontem você me chamava de pai e agora me chama de Sr. Roberto? — Roberto olhou para ela com uma expressão séria.
— Como vamos nos divorciar, não acho adequado chamar assim. —

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