— Mas a senhora Ferreira também tem razão, presentear com um tinteiro de pedra em um banquete de aniversário realmente não é algo suficientemente luxuoso...
A expressão de Tereza Viana não se alterou. Ela apenas disse com tranquilidade: — O que importa em um presente é a intenção. O Sr. Roberto gosta de caligrafia, esse tinteiro vai ser bem-útil para ele.
— Intenção? — Giovana Alves zombou. — A família Ferreira precisa dessa sua intenção? Tereza, não me leve a mal, mas nesses três anos morando com a gente, além de cuidar de alguns vasos de flores, o que mais você sabe fazer? E agora quer nos enrolar com essa pedra qualquer!
As palavras foram duras, e o ambiente ao redor ficou em silêncio.
Adilson Ferreira se aproximou naquele instante. Ele viu o rosto pálido de Tereza e franziu a testa, mas ao se lembrar de que o pai o havia obrigado a assinar o acordo de divórcio, uma raiva inexplicável tomou conta dele mais uma vez.
— Chega, mãe — ele falou impaciente. — Ela já entregou o presente, pare de falar.
A fala parecia um conselho, mas na verdade transbordava frieza. Ele sequer perguntou se Tereza estava passando mal.
Erasmo Ramos se remexeu nos braços de Berta Ramos e, de repente, estendeu as mãozinhas para Adilson: — Papai, colo!
Esse papai ecoou alto e claro, e o salão de festas ficou ainda mais silencioso por um momento.
Adilson enrijeceu o corpo e olhou instintivamente para Tereza. Ela apenas continuava parada ali calmamente, como se não tivesse ouvido nada.
Berta logo tentou acalmar a criança: — Erasmo, seja bonzinho, o papai está ocupado...
— Eu quero o colo do papai! — A criança insistiu, olhando para Adilson com os olhos cheios de lágrimas.
Sob os olhares de todos, Adilson acabou estendendo os braços e pegou a criança. Erasmo imediatamente abraçou seu pescoço, deitando-se obediente em seu ombro.
A cena foi vista por todos, e o significado era evidente.


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