Se não fosse pelo cabelo instantâneo e exagerado do Marcos, e pelas diferenças gritantes de personalidade entre os dois, Bryan quase teria desconfiado que aquele era o Felipe.
Ele olhou para Jennie, surpreso, mas vendo que ela mantinha a expressão calma, resolveu engolir a dúvida.
"Faz tempo que você não apresenta seus subordinados pra mim. Que tal a gente sair pra comer juntos? Eu pago." Bryan sugeriu.
Jennie respondeu: "Tenho outros planos pra eles hoje, fica pra próxima."
"Então vamos nós dois?"
Sem ninguém pra atrapalhar, ele ficava ainda mais animado.
Jennie disse: "Hoje eu trouxe comida pra você, está no carro."
"Então nada de restaurante, vamos comer no meu escritório."
Jennie não recusou.
Afinal, depois de "usar" tanto a boa vontade alheia, precisava retribuir de algum jeito.
Mesmo que essa pessoa dissesse que gostava de ser útil, até irmãos precisam acertar as contas.
Cecilia e Marcos saíram rápido.
Jennie foi atrás de Bryan até o escritório dele.
Diferente da última vez, o ambiente estava agora cheio de plantas.
Todas eram orquídeas caríssimas.
Jennie apontou para dois vasos.
"Essas orquídeas aí custam o preço de um carro popular."
Bryan também ficou um pouco chocado.
"Tudo isso por esse matinho?"
"Não é mato, é uma orquídea-fantasma, espécie em extinção, super rara."
"Sério?" Bryan tentou disfarçar o espanto e disse: "Então fica pra você! Aqui no escritório não passa de um mato, mas na sua casa vira uma orquídea-fantasma."
Jennie balançou a cabeça.
"Melhor não, se eu acabar matando a planta vai ser um pecado enorme."
"Se morrer, morreu, é só um matinho."
"É uma orquídea…"
"Planta é planta, nem fui eu que comprei, ganhei de presente."
"De quem? Presente generoso assim?"
Umas orquídeas raras dessas enfeitando o escritório, valiam fácil uns milhões.
Enquanto isso, Bryan ia abrindo uma a uma as marmitas térmicas.
Ao ver a variedade dos pratos, seu estômago já começou a roncar.
Bryan, que não ligava muito pra plantas, respondeu apenas: "Foi o Gilson que deu."
Jennie perguntou de novo: "E de onde o Gilson arrumou essas orquídeas?"
Bryan olhou pra ela, agora um pouco mais sério, e antes de pegar o garfo, perguntou: "Por que tanto interesse nessas plantas… nessas orquídeas?"
Jennie explicou: "Aquela orquídea-fantasma que te falei é espécie em extinção. E não é só ela, várias dessas aqui são também."
"Você já falou isso."
"Mas você sabe o que significa ser espécie em extinção? Particularmente, até dá pra ter uma, duas, mas não pode encher o escritório assim. Principalmente se forem selvagens. Se o órgão ambiental vier fiscalizar, vai dar ruim."
Bryan franziu a testa, entendendo o recado.
"Assim que terminar de comer, vou perguntar de onde ele tirou."
Bryan afirmou com convicção: "Pode deixar, vou investigar."
Jennie assentiu.
"Liga pra ele agora, eu mesma desço. Não gosto de dar bandeira aqui em cima."
Bryan só acenou concordando.
Na saída, Jennie deu de cara com Felipe, que acabava de terminar uma tarefa no corredor.
Ao ver Jennie, Felipe abriu um sorriso amigável.
"Srta. Jardim, chegou faz tempo?"
"Uns trinta minutos." Jennie respondeu, observando atentamente o rosto de Felipe.
Hoje, ela tinha pedido pro Marcos aparecer justamente pra comparar com Felipe.
Os dois eram tão parecidos que ela não podia evitar pensar nisso.
Mesmo com Marcos dizendo que o irmão já tinha morrido.
Porém, por azar, quando um estava, o outro não estava.
Jennie não queria forçar um encontro formal, vai que estivesse enganada… só iria entristecer e constranger o Marcos.
Como era bem provável que fosse só impressão dela, preferia apostar num "acaso".
Felipe só percebeu que Jennie o encarou mais que o normal hoje.
Passou a mão no rosto, meio desconfiado.
"Srta. Jardim, tem alguma coisa suja no meu rosto?"
"Nada, só estava pensando… você e o Bryan parecem tão próximos, se conhecem há muito tempo?"
Felipe assentiu: "Trabalho pro patrão desde pequeno."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....