"Jennie, isso é...?"
Jennie balançou a cabeça suavemente para ela.
Esse gesto queria dizer duas coisas.
Primeiro, que ela também não sabia quem tinha colocado veneno.
Segundo, era para Sra. Novaes não se preocupar tanto, porque provavelmente ninguém mais estava envenenado.
Sra. Novaes assentiu com a cabeça, apertando Kleber para que ele não saísse correndo por aí.
Logo a polícia chegou, acompanhada de uma ambulância, mas, no momento, ela já não era mais necessária.
Os membros da Família Godinho e da Família Passos começaram a discutir.
Rufino não queria arranjar confusão com os convidados do dia, afinal, entre eles estavam pessoas importantes como Luana, Orfeu e Bryan.
Nem a Família Passos, nem mesmo a Família Godinho podia se dar ao luxo de criar inimizades ali.
Ele exigiu que a Família Passos libertasse as pessoas o quanto antes, mas eles não aceitaram.
"Se não descobrirem quem envenenou meu filho, ninguém sai daqui!"
O rosto de Rufino fechou.
"Vocês por acaso acham que podem se indispor com qualquer um desses convidados? Gregório já morreu, mas quem tá vivo precisa continuar vivendo. Vocês querem acabar com a vida de todo mundo, é?"
O casal Passos, já perdendo completamente as estribeiras, respondeu: "Eu já tinha percebido que sua filha estava estranha hoje, toda hora brigando com meu filho. Vai ver foi ela mesma quem fez isso!"
"Isso é um absurdo!"
"Se não têm culpa no cartório, por que têm medo da investigação?"
"Não disse que não pode investigar, só não pode prender ninguém à força."
"Se deixar todo mundo ir embora, vai investigar o quê?"
As duas famílias armaram um barraco daqueles.
Sra. Passos ainda puxou o cabelo da Sra. Godinho.
Sra. Godinho, toda arrumada para a ocasião, ficou com o cabelo completamente bagunçado.
"Louca! Essa família de vocês é toda maluca!"
Sra. Godinho estava furiosa, mas, por conta do seu status, não podia revidar.
Foi a polícia que conseguiu separar os dois lados.
Os convidados assistiam a briga das famílias de olhos arregalados, mas ninguém tinha ânimo para rir deles. Todos estavam apavorados com a possibilidade de terem sido envenenados também.
Felizmente, os policiais trouxeram médicos, que examinaram cada um ali. Como ninguém apresentou problemas, todos respiraram aliviados.
A polícia avisou que o resultado dos exames levaria duas horas.
Até que seria rápido.
Gregório não tinha morrido de causa externa, então não precisava de autópsia – só analisariam o sangue.
"Nesse meio tempo, peço a colaboração de todos para a investigação."
Com o pedido da polícia, todos concordaram em colaborar.
Mesmo que não fossem, ela ia insistir nisso.
Porque, se não tivesse algo para se agarrar, ela desabaria com a morte repentina do filho.
Jennie respondeu sem mudar a expressão: "Sra. Passos, comida a gente até pode comer de qualquer jeito, mas palavras têm que ser pensadas antes de falar. Se acha que meu irmão é o assassino, traga provas. Sem provas, isso é calúnia, e eu tenho o direito de processá-la."
Sra. Passos era daquelas que trocava de lado sem pestanejar.
Com cara feia, ela disse: "Se você e seu irmão não têm nada a esconder, por que ele é o único que sumiu? É porque está com a consciência pesada!"
"Na verdade, é ao contrário. Quem faz algo errado, jamais sumiria agora. Fugir só confirmaria a culpa. Quem envenena, geralmente finge que nada aconteceu e fica no meio da multidão, não sai correndo."
Enquanto falava, Jennie olhou casualmente para a multidão.
Orfeu estava em pé, tranquilo.
Quando percebeu o olhar dela, seu rosto comum ficou tenso por um instante, mas logo voltou ao normal.
Sra. Passos ficou sem argumentos diante de Jennie e demorou a responder: "Enfim... Seu irmão sumiu do nada, então não tem como escapar da suspeita!"
O policial também falou com Jennie: "Por favor, chame seu irmão de volta."
Jennie abriu as mãos: "Desculpe, ele não vai voltar."
O policial franziu as sobrancelhas.
Sra. Passos, achando que pegou Jennie no pulo, apontou para ela e gritou: "Viu, policial! Ela está nervosa! Foram esses dois irmãos que envenenaram! Tá tudo provado, prenda eles logo!"
O policial acalmou Sra. Passos e, pacientemente, perguntou a Jennie: "O que ele foi fazer? Por que não pode voltar?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....