Capítulo 29: Convite para Jantar
Laura
Eu ainda estava ofegante, as pernas tremendo pelo prazer intenso que tínhamos acabado de compartilhar contra a porta do escritório. Mas eu já o conhecia bem o suficiente para saber que aquele silêncio carregava algo. Quando o questionei, ele me encarou com aqueles olhos cinzas profundos antes de finalmente falar.
— Nós precisamos conversar — disse ele, a voz rouca, ainda baixa de desejo.
Eu pisquei, confusa, ajeitando meu vestido com as mãos ainda trêmulas.
— Sobre o quê?
Rafael respirou fundo e deu um passo para trás, como se precisasse de espaço ou talvez de tempo para formular as palavras.
— Tenho um jantar beneficente hoje à noite. É um evento importante; o cliente que está fechando o contrato europeu vai estar lá. Marcos me lembrou que eu não posso ir sozinho de novo. Da última vez que fui sem companhia, as mulheres ficaram em cima de mim o evento inteiro. Fotos, perguntas, rumores... Quase perdi o contrato por causa da má impressão. Então… Marcos sugeriu que eu levasse alguém.
Meu peito aqueceu por um segundo. Um sorriso tímido surgiu nos meus lábios e eu dei um passo na direção dele, envolvendo seu pescoço com meus braços e colando meu corpo ao dele novamente.
— Está me convidando para acompanhá-lo, senhor Monteiro? — perguntei em voz baixa, provocadora, roçando meus lábios no pescoço dele.
Rafael ficou calado por alguns instantes. O silêncio dele foi como um balde de água fria. Senti seu corpo enrijecer sob meus dedos. Me afastei devagar, buscando os olhos dele.
— Não é um convite, né? Não sou eu quem vai acompanhá-lo.
Minha voz vacilou no final, mas mantive a postura. Eu não ia me entregar à dor; não ia chorar na frente dele. Rafael passou a mão pelo cabelo, visivelmente frustrado.
— Não. Irei com outra pessoa.
Aquilo me atingiu em cheio. Não foi só a dor de saber que ele levaria outra, foi a vergonha lancinante por ter sugerido que eu seria a escolhida.
— Laura… — ele disse meu nome com pesar. — Eu te levaria, amor, eu juro. Mas tem a questão do visto. A sua ilegalidade. As pessoas ainda pensam que você é só a babá. Se eu aparecer com você, vai chamar atenção demais. O processo ainda está correndo e isso pode atrasar tudo. E a imagem da empresa… eu estou fechando um contrato grande. Não é o momento.
Assenti devagar, engolindo o nó que ardia em minha garganta.
— Eu entendo.
Mas doía. Doía demais.
— Preciso ir ver o Enzo. E, de verdade, preciso de um banho antes — falei com a voz neutra, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.
Saí do escritório com o peito apertado, o eco das palavras dele "não é o momento" queimando em meus ouvidos. Subi as escadas rápido, entrei no meu quarto e fechei a porta com força. Encostei na madeira, respirando pesado. Meu corpo ainda estava quente do sexo contra a porta, o vestido amarrotado, e o cheiro forte dele ainda impregnado em mim. Mas agora tudo parecia frio.
Como se o prazer tivesse sido só uma distração para o que realmente importava: eu ainda era "a babá". Ainda era a "Senhorita Mendes". Um segredo sujo que, se viesse à tona, mancharia a imagem dele. Era assim que eu me sentia: suja. Mesmo tentando entender os motivos dele...
Sentei na beirada da cama, as mãos tremendo. Lágrimas ameaçaram cair, mas eu as segurei. Não ia chorar. Não por isso. Não por um homem que dizia me amar, mas me tratava como um segredo quando o mundo olhava. Antes de amá-lo, eu precisava me amar. E chorar por essa situação era o oposto disso.
Segundos depois, ouvi alguém forçando a maçaneta. A voz dele veio baixa, quase um apelo.
— Laura… por favor, abre. Deixa eu explicar.
Suspirei, levantei-me e abri a porta. Rafael estava ali, a camisa amarrotada, o cabelo bagunçado e os olhos vermelhos.
— Alice é uma amiga de infância. É como uma irmã para mim, não tem nada além disso. Eu não quero ir com ninguém, mas preciso. Por favor, entende.
Concordei com tudo o que ele disse. Fria. Sem emoção.
— Tudo bem. Eu entendo.
Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Mas, antes que pudesse se aproximar, o telefone dele tocou. Ele atendeu rápido.

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não cosegui ler...