Capítulo 31: O Elo Mais Fraco
Laura
O ar ao redor de Rafael parecia crepitar. Ele ignorou Ethan completamente, mantendo seus olhos cinzas fixos em mim, brilhando com uma mistura de fúria e algo que parecia muito com dor. Ele deu um gole longo em sua bebida, a mandíbula tão tensa que eu temia que o cristal da taça fosse quebrar em sua mão.
— Você realmente veio — disse ele. Não era uma pergunta; era uma acusação.
Abri a boca para me defender, para dizer que as circunstâncias me forçaram, mas Ethan foi mais rápido, colocando a mão possessivamente no meu ombro.
— Relaxa, Rafael. Ela veio me acompanhar e curtir uma noite de folga. Afinal, até a sua funcionária mais dedicada merece ver as luzes da cidade de vez em quando, não acha?
Um garçom passou silencioso como uma sombra. Rafael depositou o copo vazio na bandeja e pegou outro cheio de uísque, sem desviar o olhar do meu por um segundo sequer.
— Quero só ver o quão relaxada ela vai ficar se a imigração a pegar aqui — rebateu Rafael, a voz gélida.
Aquelas palavras me atingiram como um tapa físico. O "não é o momento" que ele tinha me dito no escritório agora ganhava contornos de ameaça. Senti meu rosto arder. Eu estava ferida pela aspereza dele, mas, no fundo da minha mente, a lógica fria dizia que ele tinha razão. Eu era um alvo móvel naquele salão.
— A imigração não vai baixar em uma festa de gala deste nível, Rafael. Deixe de ser paranoico — Ethan retrucou, estreitando os olhos. — E eu já falei com o Marcos sobre o processo. Gostaria de lembrá-lo que é o meu escritório que está cuidando de tudo. Eu jamais faria algo para prejudicar ou colocar em risco uma cliente. Especialmente a Laura.
Rafael deu um último gole, colocou o copo sobre uma mesa lateral e, sem dizer mais uma palavra para nós, virou-se para a loira deslumbrante ao seu lado.
— Alice, preciso cumprimentar um dos investidores europeus. Com licença.
Ele se afastou com passos largos, a aura de poder o seguindo como uma capa. Ethan, vendo um conhecido do outro lado do salão, inclinou-se para mim.
— Preciso dar uma palavra com aquele homem ali, é importante para um caso. Você fica bem com a Alice por um minuto?
Assenti, embora me sentisse subitamente desamparada. Ethan saiu, deixando-me a sós com a mulher que ocupava o lugar que eu tanto desejava. Alice se aproximou, e para minha surpresa, ela não tinha um olhar de julgamento. Ela sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto.
— Não se preocupe com o Rafael — ela disse, a voz suave. — Tudo aquilo é apenas ciúmes puro e mal disfarçado.
Fiquei confusa. Olhei para ela com os olhos arregalados. Eu sabia que Rafael não tinha contado nem para o Ethan, seu melhor amigo, sobre nós. Como ela poderia saber?
Alice soltou uma risadinha cúmplice.
— Ele não parou de falar de você por um minuto desde que chegamos. Ele acabou confessando que vocês estão juntos, Laura. E me explicou que só não a assumiu ainda por causa do processo de legalização.
Senti um peso sair do meu peito, mas logo outro o substituiu.
— Dinheiro compra quase tudo neste país, Laura — ela continuou, tocando levemente meu braço. — Mas a questão da imigração é algo que eles não toleram muito, especialmente com figuras públicas como o Rafael. Ele está certo em não querer abusar da sorte. Ele só quer te proteger, do jeito torto dele.
Eu me senti mal ao ouvir aquilo. Alice era uma querida, uma simpatia de pessoa. Eu queria odiá-la por estar ali com ele, mas era impossível sentir raiva de alguém tão transparente. Percebi que o que Rafael dizia era verdade: eles eram como irmãos.
— Eu já morei no Brasil por um tempo — ela contou, mudando de assunto para me deixar à vontade. — Fiquei um período no estado do Paraná.
— Sério? Eu vim do interior de São Paulo — respondi, sentindo uma ponta de saudade de casa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
não cosegui ler...