Francine acordou com o celular vibrando na mesinha de cabeceira. O sol mal tinha atravessado as cortinas quando ela piscou os olhos inchados e puxou o aparelho.
Uma notificação de Lohan.
“Bom dia, estrelinha do meu sábado ✨ Já pensou em transformar isso em rotina?”
Francine riu sozinha, rolando na cama.
— Mal me conhece e já quer me colocar na passarela todo dia… — murmurou, digitando a resposta.
“Bom dia, fotógrafo. Vamos com calma, ainda sou só a garçonete da esquina, lembra?”
A resposta não demorou.
“Garçonete nada. Uma modelo que o acaso me deu de presente. E te digo mais: eu seria um péssimo profissional se deixasse esse talento escapar.”
Francine estreitou os olhos, divertida.
“Olha, se esse é o seu jeito de convencer clientes, entendo porque tem tanto trabalho. Mas, de verdade, agradeço, ainda tô meio sem acreditar em tudo que aconteceu no fim de semana.”
Do outro lado, o ícone de digitação piscou.
“Então deixa eu te ajudar a acreditar. Tenho um contato numa agência aqui em Paris que está sempre em busca de novos rostos. Que tal jantar hoje a noite? Nada formal, só você, eu e um agente que pode abrir umas portas.”
Francine parou, encarando a tela.
Um jantar?
Parte dela achou ousado, mas a ideia de conhecer alguém da área pesou mais.
“Se for realmente profissional, aceito. Mas aviso logo: não tenho tempo para mal-entendidos.”
A resposta veio com um emoji piscando:
“Profissionalíssimo, mademoiselle. Prometo que hoje você sai do jantar com, no mínimo, um cartão de agência na bolsa.”
Francine sorriu de canto, já se levantando para encarar o dia.
No fundo, estava animada. Não pelo charme dele, que ela insistia em ignorar, mas pela oportunidade que talvez pudesse mudar sua vida em Paris.
No horario combinado Francine chegou ao restaurante, um ambiente sofisticado que fez a pressão dela dar uma leve caída.
Ela abriu a porta do restaurante e congelou por um instante. Lohan estava sozinho à mesa ajeitando o guardanapo com aquela naturalidade que parecia ensaiada.
Ela respirou fundo e fez a clássica viradinha de olhos, quase sorrindo:
“Não acredito que ele me passou a perna…”
— Boa noite, Francine — disse Lohan, levantando-se e estendendo a mão, o sorriso leve e confiante que ela já começava a reconhecer. — Que bom que veio.
“Tá vendo só?”
Francine apertou a mão de Olivier e se sentou, ainda lançando olhares desconfiados para Lohan, que parecia mais divertido do que nunca com a situação.
— Francine, mostrei suas fotos do desfile para Olivier, e ele me falou que você tem um potencial enorme — disse Lohan, inclinando-se ligeiramente para frente, mantendo o tom sério, mas cheio de charme. — E sou obrigado a concordar com ele.
— Obrigada — respondeu Francine, tentando não demonstrar animação. — Ainda estou tentando entender como me posicionar aqui.
— É aí que eu entro — disse Olivier, com um sorriso cordial. — Posso apresentar algumas agências que estão interessadas em novos rostos. Se você quiser, podemos marcar reuniões já esta semana.
Francine mexeu distraidamente no guardanapo, sentindo um frio leve no estômago.
Uma ponta de ansiedade a atravessou: seu book tinha anos de estrada, fotos desatualizadas, cortes de cabelo que já não existiam, estilos que não refletiam mais quem ela era.
A ideia de chegar diante de uma agência com aquele material parecia quase um convite ao julgamento.
Francine piscou, pensativa, e lançou um olhar para Lohan.
— Acho que… talvez fosse bom fazer um novo book. — admitiu, quase em um sussurro, como se estivesse ponderando em voz alta.
Lohan não perdeu tempo. Um sorriso rápido, confiante, surgiu no canto da boca:
— E quem melhor para fazer esse book do que eu?

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