Francine ergueu o queixo assim que viu a mão estendida.
A ponta dos lábios curvou-se num sorriso enviesado, carregado de ironia.
— Está um pouco tarde para cavalheirismos, não acha? — murmurou, sem disfarçar a provocação.
Dorian inclinou levemente a cabeça, um brilho de desafio passando por seus olhos.
— Para dançar com você, nunca é tarde. — A voz saiu baixa, firme, quase um convite impossível de recusar.
Francine suspirou, revirou os olhos de leve, mas por fim pousou a mão na dele.
— Está bem… mas só uma música.
Ele sorriu satisfeito, e a conduziu com naturalidade para o centro do salão.
Assim que chegaram, o quarteto de cordas iniciou uma melodia suave, quase hipnótica.
A pista estava vazia, e por isso todos os olhares os seguiram, atraídos pelo contraste: ela, radiante no vestido que cintilava sob a luz, e ele, de uma elegância impecável, seguro de cada gesto.
Os primeiros passos foram silenciosos.
Francine, acostumada a multidões, sentiu-se estranhamente exposta naquele espaço aberto, com todos observando e com aquele homem segurando-a com tanta firmeza e, ao mesmo tempo, cuidado.
Incomodada com o peso do silêncio, ergueu os olhos para ele.
— E então, o que significa tudo isso? — perguntou, num tom leve, mas com a ponta de sarcasmo que usava sempre que queria manter distância.
Dorian soltou um leve suspiro, desviando por um instante o olhar como se buscasse as palavras certas.
— Eu sabia que você viria ao baile — disse ele, a voz baixa, grave, carregada de algo entre orgulho e alívio. Seus olhos percorreram o rosto dela, demorando um pouco mais nos lábios delicadamente maqueados, descendo até a curva da cintura e voltando aos olhos dela, como se quisesse memorizar cada detalhe. — Só não imaginava que viria… assim.
Francine ergueu uma sobrancelha, a elegância intacta apesar do coração acelerado.
O tom que usou tinha um fio de ferro que tentava esconder o tremor que sentia por dentro:
— Não vim por você, Dorian.
O canto da boca dele tremeu, quase um sorriso, mas não chegou a se formar.
Ele inclinou-se um pouco mais, mantendo a cadência dos passos.
— Eu sei que não. Mas não muda o fato de que finalmente nos encontramos. E já se passaram dois meses desde a última vez. — Aproximou-se do ouvido dela, e a voz rouca desceu num murmúrio que arrepiou a nuca dela. — Você não tem ideia de como esses meses foram… longos.
Por um instante, Francine sentiu a muralha que construíra começar a ceder.
Ela percebeu o nervosismo por trás da fachada imponente dele, o modo como os dedos firmes nas costas dela pareciam reprimir um tremor.
Ainda assim, não quis ceder tão fácil.
— Você também não faz ideia, Dorian, de como esses meses foram difíceis pra mim. — A voz saiu suave, mas havia ali um toque de mágoa. — Longe de amigos, magoada, com medo de não ter dinheiro pra pagar um café no dia seguinte…
Dorian inclinou o rosto até quase roçar o dela, e a gravidade de seu tom fez a música ao redor parecer mais distante.
A intensidade de seu olhar fez Francine prender a respiração.
Dorian abaixou a cabeça até encostar a testa na dela.
A música suave continuava, mas parecia distante, abafada pelo som dos corações que batiam depressa.
A voz dele veio baixa, rouca, com uma emoção crua que contrastava com sua postura habitual.
— Francine, eu passei esses dois meses castigando, dia após dia, o homem que ousou te deixar naquele estado na frente da minha casa. Planejei a queda dele passo a passo, até tirá-lo pessoalmente da presidência da própria empresa. Natan foi reduzido ao nada que ele é. — A pausa que fez foi breve, e quando falou de novo a voz soou mais suave. — E eu não fiz isso por mim. Fiz por você. Pra que ele saiba que você não está mais sozinha.
Francine desviou o olhar por um instante, e algo nos olhos dela brilhou como se fosse emoção contida. Mas não suavizou as palavras.
— Obrigada… mas isso não encobre o seu erro.
Ele afastou a testa apenas o suficiente para fitá-la nos olhos. A luz dos lustres do salão refletia nos olhos de Dorian, que estavam levemente marejados.
— E é por isso que eu precisava vir hoje. Precisava te encontrar aqui. Pra pagar pelo meu erro. Pra pedir perdão. Pra prometer que isso nunca mais vai se repetir.
Francine engoliu em seco, a garganta apertada. Manteve, no entanto, a voz firme:
— Isso é tudo que você tem? Uma promessa?
A resposta veio sem hesitação, baixa, grave:
— Eu não sou um homem de promessas. Eu disse que ia te mostrar que mereço seu perdão. Só preciso saber… se você está disposta a me dar a chance de provar.

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