Depois do Natal, Nova York não desacelerou.
Ela apenas mudou de humor.
O clima continuava frio, as luzes ainda piscavam nas vitrines, mas havia uma pressa diferente no ar, como se a cidade inteira estivesse contando os minutos até o fim do ano.
A agenda voltou a ocupar cada fresta do dia: provas de roupa, reuniões, ajustes de última hora, chamadas que começavam cedo demais e terminavam tarde demais.
Ainda assim, tudo parecia… mais leve. Não fácil, mas suportável.
Talvez porque, em Nova York, tudo tivesse um prazo implícito.
Até os problemas pareciam temporários.
Enquanto elas se ocupavam do trabalho, Cássio e Dorian assumiram uma missão paralela, nunca declarada, nunca nomeada, mas perfeitamente compreendida entre eles.
Garantir um plano B.
Não houve discursos, nem planos desenhados em guardanapos.
Apenas conversas curtas, olhares objetivos e decisões tomadas com a eficiência de quem já se conhece há tempo demais.
Nada foi explicado em detalhes.
Nenhum endereço anotado, nenhuma confirmação entusiasmada.
Apenas ligações rápidas, mensagens diretas, cifras suficientes para destravar portas que normalmente não se abriam para qualquer um.
Em algum momento daquela semana, Dorian encerrou uma ligação, guardou o celular no bolso do casaco e comentou, com um meio sorriso satisfeito:
— É o melhor lugar possível.
Cássio apenas assentiu.
Não pediu detalhes. Não precisava.
Se Dorian dizia aquilo, era porque estava resolvido.
Na tarde do dia trinta e um, Francine e Malu voltavam de um passeio sem grandes pretensões.
Sacolas nas mãos, passos cansados, risadas soltas daquele tipo que só aparece quando o corpo está exausto, mas a cabeça ainda quer aproveitar.
Havia algo diferente no último dia do ano, uma excitação difícil de explicar, uma expectativa que não exigia motivo concreto.
Foi Malu quem percebeu primeiro.
— Ué… essa rua não estava fechada ontem.
Barricadas surgiam onde antes havia trânsito. Policiais orientavam o fluxo das pessoas. Placas improvisadas indicavam desvios, e grupos inteiros caminhavam carregando mochilas, sacolas térmicas, cobertores enrolados no braço, como se estivessem se preparando para acampar no meio da cidade.
— Deve ser por causa da virada — Francine disse, animada demais para se preocupar. — Normal.
Era normal.
Mas também foi o primeiro aviso.
Chegar ao hotel levou mais tempo do que deveria.
As calçadas estavam cheias demais para um dia comum, e a sensação era de que a cidade estava se preparando para algo grande… e nada confortável.
Quando decidiram seguir para a Times Square, ainda era meio da tarde.
Já havia gente demais. Gente que claramente não pretendia sair dali tão cedo.
Foram revistados logo na entrada do perímetro.

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