Bela Flor - Romance gay Capítulo setenta e sete

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No andar superior da casa, Jackson sorria enquanto organizava Mingu na caixinha de passeio.

ㅡ Ele é lindo.

Hyun-suk o olhou e sorriu pequeno. Jackson deixou o gatinho no canto, pedindo-o apenas para aguardar um pouco mais ali, mas Mingu apenas deitou e dormiu, não se preocupando.

ㅡ Já acabou? ㅡ perguntou, sentando na beirada da cama, observando Hyun-suk dobrar uma camisa sem vontade alguma.

ㅡ Você acha que ele está bem? ㅡ Hyun-suk perguntou de modo verdadeiro. Mirou os olhos de Jackson e o viu pensar antes de simplesmente responder.

ㅡ Acho que sim. Ele é muito forte, sabia?

ㅡ Eu sei. ㅡ outro sorriso pequeno nasceu nos lábios de Hyun-suk. ㅡ Mas...

ㅡ Não pensa besteira, tá? ㅡ Jackson pediu. ㅡ o nosso Jaejun vai voltar bem.

ㅡ Não consigo parar de pensar que não conheço aqueles caras e eles estão com Jaejun. Pior, Hesun está com ele... aquele garoto é surtado. Simplesmente é louco. Ele me ameaçou com uma lâmina, ele me deixou apertá-la em seu pescoço... O que o impediria de machucar Jaejun só por pura diversão? Tenho medo de que...

ㅡ Nada vai acontecer a Jaejun. ㅡ Jackson falou um pouco mais alto. ㅡ tudo bem? Se esse projeto de satanás ousar tocar no nosso Jaejun, eu juro que o mato.

ㅡ Não se eu o matar primeiro. ㅡ Hyun-suk falou, desistindo de dobrar a peça, simplesmente a jogando na mala e a fechando por fim.

ㅡ Para onde você vai?

ㅡ Não sei se é uma boa ideia falar aqui.

ㅡ Tem razão. ㅡ Jackson olhou ao redor, assustado. ㅡ Mas nos avise onde for ficar quando puder.

ㅡ Pode deixar.

ㅡ Como agora você é meio que... o namorido de Jaejun, nos preocupamos com você também. ㅡ Jackson disse, olhando-o nos olhos outra vez quando o Park voltou a lhe encarar.

Hyun-suk sorriu agradecido, mas perguntou:

ㅡ Namorido?

ㅡ É, tipo namorado e marido tudo junto. Vocês estão morando juntos praticamente.

ㅡ É, mas... ele ainda não é meu marido. Mas quando tudo isso passar e estivermos bem, eu...

ㅡ Você? ㅡ Jackson se inclinou um pouco, atento ao rosto do Park.

ㅡ Eu quero que ele seja mesmo o meu marido.

O Song sorriu, segurando-se para não dar um gritinho de alegria porque não fazia sentido surtar por aquilo sem ter o melhor amigo ao lado.

ㅡ Eu gosto de você. ㅡ confessou ao loiro. ㅡ gosto de você com Jaejun. Como um irmão mais velho, eu permito que vocês se casem.

ㅡ Permite, é?

ㅡ Mas é claro. Sem minha permissão não há casamento. ㅡ Jackson piscou.

ㅡ Sei. ㅡ Hyun-suk apenas sorriu pequeno e se ergueu, segurando com firmeza a mala que havia acabado de fazer.

ㅡ Fez a mala do Jaejun também? ㅡ o Song perguntou, vendo o Park apenas apontar com o queixo. ㅡ eu busco ela. Pode ir descendo.

ㅡ Obrigado.

Hyun-suk desceu saiu primeiro, mas seguiu para o quarto de Sunhee. Jackson seguiu para o andar debaixo, mas não deixou de olhar para o quarto de Sunhee quando Hyun-suk abriu a porta e pôde ver a mulher sentada, com as mãos sobre o rosto, novamente chorando.

Hyun-suk suspirou, indo até ela para deixar a mala e Mingu com cuidado no chão para a abraçar novamente.

ㅡ Me desculpa. ㅡ Sunhee pediu, mas o Park apenas negou.

ㅡ Vamos embora, tudo bem?

A mulher suspirou, soluçando algumas vezes, evidenciando que talvez já chorasse há um tempo. Ficou de pé, sentindo a mão gentil de Hyun-suk tocar sobre sua cintura.

ㅡ Pode deixar, eu levo a sua mala. ㅡ Hyun-suk avisou.

Sunhee assentiu, seguindo na frente. Hyun-suk tomou cuidado com MinGu, mas desceu com as duas malas e o gato.

Quando se reuniu com os outros já do lado de fora, abraçou novamente Hajun e avisou apenas a ele para onde estaria indo. O Jung poderia avisar aos outros, Hyun-suk deixaria a entrada de todos eles liberada.

ㅡ Por que vamos para o Golden? ㅡ Sunhee perguntou enquanto Hyun-suk já dirigia.

ㅡ Porque lá está confortável e poderemos ficar no silêncio.

ㅡ Como assim?

ㅡ Você vai ver quando chegarmos.

A mulher não insistiu. Deixou que o silêncio prevalecesse no carro e aproveitou para fechar os olhos, descansando.

Quando voltou a abri-los, foi unicamente porque Hyun-suk a chamava baixo, a acordando do breve cochilo.

ㅡ Chegamos. ㅡ o Park avisou.

Sunhee bocejou, mas desceu do carro e ajudou Hyun-suk quando buscou a própria mala.

No elevador, Sunhee observou Hyun-suk digitar a senha e riu pequeno quando ele lhe confessou:

ㅡ É o aniversário de Jaejun. Pensei que se pusesse assim, ele jamais esqueceria.

ㅡ Ele não vai esquecer, com certeza.

ㅡ Foi o dia que nos conhecemos, sabia? Ele estava fazendo dezenove... ㅡ Hyun-suk apenas falou, vendo as portas fecharem e o elevador levá-los para a cobertura. ㅡ eu iria trazê-lo aqui no aniversário de vinte.

ㅡ Você ainda trará, oppa. ㅡ Sunhee falou, vendo-o assentir, mas sem tanta segurança.

As portas enfim se abriram e Sunhee foi a primeira a sair quando o elevador os deixou dentro do apartamento.

O lugar estava limpo, as janelas estavam abertas e tinha um leve cheiro de flor.

ㅡ Você mandou reformar? ㅡ ela perguntou. Conhecia aquele lugar devido a fotos, era simplesmente o apartamento favorito de Hyun-suk e sabia como ele o adorava.

ㅡ Sim, por causa de Jaejun.

ㅡ Como assim? ㅡ ela deixou enfim a mala perto do corredor dos quartos e observou as inúmeras fotos de Hyun-suk e Jaejun ali. ㅡ Se não o trouxe aqui, por que há tantas fotos?

ㅡ Por causa disso. ㅡ Hyun-suk caminhou e abriu um pequeno cristal que aparentava apenas ser decorativo. De lá, buscou uma caixinha pequena e sequer precisou abrir para Sunhee ofegar, mas quando o abriu, a mulher se aproximou, encantada. ㅡ eu estava esperando o momento certo para...

ㅡ Você quer pedi-lo em casamento? ㅡ ela o olhou com os olhos saltados, cintilantes.

ㅡ Mais ou menos. Quer dizer, eu quero, mas nunca sei se devo. Ele passou por aquela perda, agora está passando por isso e eu não sei como ele está. Fico imaginando que Jaejun voltará a se fechar, que ele ficará com medo, ficará longe de todos, e... começo a pensar besteira, a pensar que ele se machucará sem sequer notar. Sabe... eu não quero assustá-lo, não quero sufocá-lo, mas eu também estou com medo agora, vou ter ainda mais medo depois. Só quero que ele fique bem.

ㅡ Ei, ei, ei... ㅡ Sunhee chamou-o a atenção quando seria o Park que começaria a chorar naquele segundo. ㅡ um passo de cada vez. Esse anel é lindo, simplesmente perfeito. Jaejun irá gostar quando o momento chegar. Quando ele voltar para nós, você vai ficar ao lado dele e irá protegê-lo. É comum, oppa... só não pense em nada negativo agora, tudo bem? A polícia irá resolver isso tudo e o Jaejun voltará para nós. ㅡ ela sorriu.

Hyun-suk piscou, suspirando e deixando uma única lágrima solitária escapar. Sunhee a limpou, afagando a bochecha dele.

ㅡ Vai ficar tudo bem. ㅡ falou, olhando no fundo dos olhos do Park. ㅡ só pensa nisso, tá bem?

ㅡ Tá bem. ㅡ falou, fungando.

ㅡ Agora vamos soltar MinGu, ele não pode viver naquela caixinha.

Hyun-suk sorriu e olhou para a caixa. Caminhou até o gatinho e abriu a portinha que havia na caixa, vendo-o sair e se alongar antes de ir até o tapete da sala e simplesmente deitar lá.

ㅡ Acho que ele está bem. ㅡ Sunhee falou. ㅡ Está com fome? Vou pedir

ㅡ Tudo bem, mas nada de pizza de

ㅡ Mas por quê? Eu gosto.

não, se comer muito dela, você...

a fala quando ouviu o toque de seu celular ecoar. Seus olhos arregalaram-se e Sunhee ofegou quando também olhou na direção em que o aparelho estava.

Hyun-suk praticamente correu até a bolsa e o retirou de lá. Suas mãos tremeram quando notou que não aparecia o número de quem o ligava, mas respirando fundo, deslizou o dedo pela tela e aceitou a chamada, apertando logo em seguida no botão que gravava

O silêncio se estendeu por quase um minuto inteiro, até Hyun-suk ouvir um respirar longo e profundo, seguido da voz que lhe embrulhou o

ㅡ Quanto tempo, Park.

Os olhos de Hyun-suk escorreram para os de Sunhee quando ele ouviu a voz de JooRi. A melhor amiga estava parada à sua frente, atenta.

ㅡ Quem é? ㅡ ela perguntou em um sussurro.

Hyun-suk ergueu a mão e caminhou para longe

O que você quer para isso acabar? ㅡ O Park perguntou de só uma vez. Tentou controlar a respiração, não queria que JooRi percebesse como estava nervoso naquele segundo.

ㅡ Hm... eu gosto disso, sabia? Direto ao ponto. Mas, hm... quanto o seu garoto

Hyun-suk fechou a mão livre em punho, apertando as unhas no centro da palma.

ㅡ Só fale de uma vez por toda. ㅡ falou entredentes.

Ouviu a risada de JooRi e sentiu o coração acelerar no mesmo segundo.

ㅡ Bem... se eu fosse amador, te perderia algo como... dez milhões de dólares? É, acho que estaria de bom tamanho, sabe? Esse garoto não parece ser tão valioso assim.

Então é isso? Você quer dez milhões? Ok, que

Calma, calma, calma, você não ouviu? ㅡ JooRi riu outra vez. ㅡ eu disse: se eu fosse amador. Mas acha que eu sou amador, Park? Não, não... eu não sou.

ㅡ Só fale de uma vez por todas quanto quer.

ㅡ Tudo bem. Então... hm, que tal cem milhões? Ah! Espera, é pouco... duzentos talvez? Isso... duzentos milhões.

ㅡ Que seja. ㅡ Hyun-suk falou. ㅡ mas eu o quero bem. Sem um arranhão sequer. Você vai me devolver Jaejun amanhã

Hey! Sou eu quem dita as regras. ㅡ JooRi falou, falsamente irritado. ㅡ Estou bem irritado que você descobriu as câmeras, sabia? Isso pode aumentar o valor.

ㅡ Você é um lixo humano. Um merda! ㅡ Hyun-suk se controlou, mas falou aquilo baixo, fazendo Sunhee se aproximar de si com os olhos ainda mais arregalados. ㅡ não vai mais me vigiar, seu babaca filho da puta!

ㅡ Acha mesmo? ㅡ JooRi riu alto. ㅡ eu não me importo em te vigiar mais agora, Park. Aquelas câmeras estavam lá há tanto tempo, que estava sem graça te observar... o meu plano deu certo, tenho tudo o que preciso comigo aqui. Tudo o que você também quer. Mas, enfim, voltando ao nosso assunto em comum, acho que não será possível entregá-lo como

ㅡ O que quer dizer com isso? ㅡ Hyun-suk sentiu sua ira aumentar. ㅡ o que você fez com ele?!

Ah, não é nada demais, sabe? Talvez ele só esteja um pouco machucado, mas ainda vai te

ㅡ Filho da puta, Se você tocar nele, eu...

Você o quê? ㅡ JooRi o interrompeu. ㅡ

Eu juro por Deus que eu faço um buraco na sua testa. Eu vou adorar ver os seus miolos espalhados pelo chão.

cobriu a boca ao ouvir aquilo, mas Hyun-suk evitava olhá-la. Não estava mentindo quanto aquilo. Talvez aquele fosse seu maior desejo

Park... não me ameace assim. Eu consigo te machucar sem sequer te tocar. Ouça

afastou o celular da orelha e olhou para Jaejun no canto do quarto, encolhido sobre

aproximou quando o irmão subiu contra o corpo do Jeon e o segurou. JooRi buscou um canivete afiado que Hesun lhe entregou e sorriu quando olhou para Su-ji no canto, atenta no que ele

tocou o corpo do Jeon, mais precisamente na pele da bochecha do garoto. Jaejun grunhiu, a lâmina adentrou a pele alva e fez um corte fundo, o fazendo gritar de dor enquanto um denso filete de sangue escorria até o

os olhos, ouvindo-o sofrer. Afastou o celular da orelha e apoiou o corpo na parede à frente, se sentindo

olhos abriram novamente, estavam carregados como nuvens prestes a dar início a um temporal, mas estavam tão raivosos que se fossem nuvens, trovões e relâmpagos sairiam de si. Avisos de que estava completamente no

trêmulo, voltou a ouvir o que agora parecia um choro abafado. Ainda era Jaejun, sentindo a pele arder enquanto mordia o lençol abaixo de si para controlar tudo o

também tremia, seu coração também acelerava. Seus olhos estavam igualmente raivosos e se ele pudesse exatamente naquele segundo, roubaria a lâmina e cravaria sem pensar no pescoço de

Ora, Park, me desculpe. Acho que usei força demais. Talvez isso fique cicatriz, mas você não se importa, não é

ㅡ Desgraçado, eu vou matar você!

claro que vai. Mas, enfim ㅡ JooRi suspirou, vendo o irmão largar finalmente o corpo de Jaejun. O garoto grunhiu de ódio, fazendo Su-ji e Hesun rirem alto. Jaejun os olhou com o rosto ainda sujo de sangue, e tentou buscar o canivete, mas MinHo o impediu com um novo soco, o fazendo gemer de dor ao cair. ㅡ Seu garoto é um selvagem. ㅡ JooRi riu, encantado com a forma que Jaejun ainda tentava revidar, mesmo com tantas pessoas querendo lhe fazer mal

o machuque. ㅡ Hyun-suk pediu, ainda ouvindo os sons do amado. ㅡ por favor. ㅡ pediu,

faça o que irei lhe instruir. ㅡ JooRi falou, voltando a atenção para o que realmente deveria. ㅡ você irá transferir duzentos milhões para a conta que eu vou te mandar por mensagem. A conta é irrastreável, então você não conseguirá fazer nada que possa me prejudicar depois. Você também não vai informar a polícia, tampouco vai levar aqueles seus amiguinhos incheridos ou a carente da Sunhee para o local que irá buscar o garoto... será só você, ele e

Onde encontro você? ㅡ perguntou,

a tarde você irá receber uma mensagem meia hora antes do horário limite. Transfira o dinheiro antes

ㅡ Ou?

você sabe. Nunca mais verá o

Hyun-suk respirou fundo.

bem, mas eu quero que você me envie um vídeo com ele. Quero saber se ele está bem antes de enviar o que

Não tem acordo, Park. Ou você me envia, ou ele

Mas como você pode me garantir que... ㅡ a ligação foi encerrada antes que Hyun-suk conseguisse terminar a frase. ㅡ Desgraçado! ㅡ O Park apertou o celular entre os dedos, enfim observando Sunhee que se mantinha atenta a

ㅡ Era ele, não era?

Hyun-suk suspirou, assentindo.

ㅡ Era.

ㅡ O que ele quis?

Park se sentou no sofá, encarando um ponto

ㅡ Duzentos milhões.

won? ㅡ Sunhee sentou ao lado

De dólares. ㅡ Hyun-suk contou, vendo-a ofegar enquanto cobria a

ㅡ Mas isso é muito dinheiro!