Perigoso (Letal - Vol.2) romance Capítulo 12

POUCOS DIAS DEPOIS…

Eu simplesmente abri a porta do “RH” disposto a tentar mais uma vez. A oficina estava fechada, as câmeras desligadas e o computador estava na minha frente. Eu tentava mais uma vez entrar no sistema, invadir os acessos e descobrir mais algumas coisas. Seria muito mais fácil se o Kane estivesse aqui, já que eu nunca fiz isso sozinho e essa parte do plano estava muito devagar. Suspirei, não consegui ir pra frente, mas tentei de novo. Foi.

Como eu suspeitava aquele computador não ia me dar muita informação, mas me deu alguns números. Eu peguei uma caneta e um papel à parte, fiz algumas suposições na minha cabeça e olhei pros números. Desliguei o sistema, voltei as coisas no lugar e vesti a touca, tampando o rosto inteiro, programando uma repetição nas câmeras para suprir o tempo que fiquei e sair sem ser visto.

Não demorou muito e eu estava em casa, tirei a roupa enquanto a gracinha redonda dormia pesado, sorri com a visão e escondi a farda antiga dos mercenários. Se ela sonhar que eu ando fazendo uns trampos por fora, eu vou levar um cacete. Pensei em acordá-la na cama, sarrar o piupiu na redonda, mas eu não podia perder o foco e nem o fio da meada. Peguei um aparelho via satélite que guardo por segurança, para casos extremos e com um número não rastreável, fui pro sofá da sala, digitei um dos números que peguei e coloquei o aparelho na orelha.

Chamou três vezes e exatamente quem eu suspeitava, atendeu.

— Alô? — era Sore, na maior tranquilidade — Alô?

— Ele deixou um plano. — respondi, calando a voz do outro lado — Eu estou tentando executar a droga do plano desde quando cheguei. Tudo volta pra trás, e eu comecei a duvidar de algumas coisas… Você quer me contar agora, Sore, porquê está travando a gente?

— Você quer ir embora, acha que eu não saquei? — ela revidou, nada inocente.

— Eu quase morri da última vez… — soltei entre os dentes — Porque está travando a gente?

— Não faz parte do plano ir embora.

— E você ia me matar porque decidi mudar o trajeto? Desde quando você faz parte disso? Quando foi que o Iron te colocou na jogada?

— Eu sou o plano B.

— Mentira, O Kane era o Plano B. Agora responde a minha pergunta, porque está travando a gente?

— Sabe porque o Kane era o plano B, Dom? — eu engoli em seco, eu não imaginava que podia ser isso, mas era um motivo — Porque ele não ia alisar o traseiro da Érina, nem se ela pedisse.

— Porque está travando a gente? — insisti.

— Você não devia ter feito isso, Dom. Você complicou tudo!

— Eu executei o plano! — voltei estressado.

— Ela não é sua!

— Fodda-se! — respondi com raiva — Quem você acha que é pra me dar a porrra de um sermão desse? A vadiia que deixava o Kane na merda porque não queria perder as regalias da Máfia?! Você está por trás do Espano, Sore! Ninguém melhor do que você sabe que era pra essa merda ser temporária e até pra Érina esse temporário está durando demais. Como vai explicar pra ela que o nosso problema é você?

— Você não vai falar nada pra ela. — soltou ameaçador.

— Essa é uma tentativa de me ameaçar? — eu olhei pra trás e vi a sombra redonda de pés inchados com os olhos marejados — Ela já sabe, eu acho que gritei demais durante a conversa.

— Vamos fazer um acordo.

— A irmandade já era e não foi porque eu fodi a cadella dele. Sem acordos!

Desliguei a droga do Telefone e ouvi um murmúrio triste. Eu não tinha muito fetiche em grávida, mas eu confesso que era ótimo. Mas, pelo visto, minha noite já era. Eu estava amarradão no pijama do frajola esticado, mas estava vacilando com todo o resto.

— Como descobriu que era a Sore? — perguntou, caminhando devagar e se sentando no sofá.

— Eu acho que ela permitiu isso. — ela me olhou chorona, eu a abracei e beijei o topo do cabelo amassado — Eu estou tentando coletar informações do sistema já tem um tempo. Passagem nova, identidade falsa, contatos… Ou some, ou me dá trabalho, ou…Hoje eu simplesmente consegui. Tem alguma coisa que não bate…

— Acha que ela está vindo atrás do bebê? — perguntou, deixando seu medo fluir.

— Não. — confessei — Eu falei aquilo pra te assustar. Ela só precisa ficar de olho, e é por isso que a gente não consegue sair desse buraco.

— Mas eu ligaria pra Sore, mesmo estando em outro lugar, se pudesse.

— Essa é a parte que não faz sentido. Porque Sore nos prenderia aqui? — questionei, tentando buscar respostas na minha cabeça.

— E aqueles trabalhos? — Érina também tentava entender.

— Faz parte do plano, limpar as cabeças principais, refazer ligações e tomar o posto. Sore ainda não chegou no topo e o dinheiro sumiu. Ainda tem coisa que não bate. Pra ela entrar com tudo, eu ainda preciso enfraquecer o outro lado, um pouco mais.

— Então você realmente estava roubando o Espano, mas esse era o mesmo plano do Iron? — eu concordei — O que foi que mudou?

— Você. — respondi, sem problema algum — Eu te prometi que ia ser temporário, então mudei o percurso. Eu não estou nem aí com quem vai derrubar o Espano, eu só queria o dinheiro e saída.

— Então ela sempre esteve por perto… Sempre… Acho que ela quer o bebê. — contou, um tanto pensativa.

— O que ela ia fazer? — questionei alisando seu cabelo, vendo que ela estava bem mais calma no meu colo — Sore é fria, sabe lidar com coisas pesadas. Mesmo que seja seu sobrinho, eu não vejo ela se importando com uma criança.

— Lembra aquele dia que o apartamento estava revirado? — ela se levantou me olhando e eu levantei uma sobrancelha, curioso — Eu achei que não fazia sentido, ou que era coisa da minha cabeça. Eu procurei em todos os lugares, mas eu tenho certeza que sumiu.

— Não demos falta de nada, naquele dia. Mars e Sandra ajudou.

— Todos os meus ultrassom sumiram. Todos. Até o exame mais simples foi junto. Achei que tinha só perdido, mas sumiu.

— Merda, você vai ter que ter esse bebê em outro lugar… — comentei, foddido de preocupação.

— Na onde? Tá muito em cima, Dom e eu… — Ela virou uma pilha chorona em dois segundos, respirando forte, corando as bochechas e tentando se conter.

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