ANASTASIA
Minhas pálpebras estavam pesadas enquanto eu tentava levantá-las. Minha garganta estava seca e dolorida, como se eu tivesse gritado por horas sem parar. Meu estômago parecia uma panela de sopa sendo mexida. E, acima de tudo, eu me sentia completamente desorientada.
Por que eu estava sentindo tudo aquilo?
Olhei ao redor. Lembrei que estava no hospital. Então me lembrei que entrei em trabalho de parto prematuro e... precisaria fazer uma cirurgia.
Meu olhar se fixou no médico. Assim como da primeira vez que abri os olhos após ficar inconsciente, ele tinha um sorriso brilhante no rosto. Mas aquele parecia ainda mais radiante. E eu me perguntei se aquilo significava boas notícias ou algo pior.
— A cirurgia foi um sucesso. — Ele disse, respondendo a pergunta que estava borbulhando na minha mente.
Decidi que o sorriso dele daquela vez realmente estava justificado.
Soltei um suspiro de alívio. Eu tinha acabado de acordar alguns minutos atrás e já estava prendendo a respiração?
— E meu bebê? — Perguntei, ansiosa.
Quando o médico me disse que eu tinha entrado em trabalho de parto prematuro, tentei me manter calma. Esperava que o Dennis estivesse ao meu lado para que eu pudesse chorar nos braços dele e contar todos os meus medos e preocupações, mas não havia ninguém. Eu estava completamente sozinha, me perdendo em todos os possíveis cenários que poderiam dar errado.
Eu não sabia muito sobre trabalho de parto prematuro, mas o nome já dizia tudo. E soava assustador.
Eu me perguntava o que aquilo significaria para o meu bebê. Será que ele nasceria com alguma parte do corpo incompleta? O que aquilo significaria para a Amie?
O sorriso dele ainda estava radiante.
— Ele está perfeitamente bem. Não há nada com o que se preocupar.
Soltei outro suspiro de alívio e fechei os olhos por um momento. Graças a Deus.
— Ele está na UTI neonatal agora. É melhor você descansar hoje. Amanhã, quando estiver melhor, vai poder vê-lo.
Embora eu estivesse ansiosa para ver ele, ainda assim me deitei na cama e tentei a relaxar.
— Obrigada, doutor.
Meus medos haviam sido dissipados e eu estava começando a me sentir ainda mais grogue.
— Vou deixar você descansar agora. — Disse o doutor de forma curta, antes de sair.
Comecei a ceder ao cansaço. Meus olhos se fecharam lentamente. Um sorriso surgiu no meu rosto ao imaginar meu bebê nos meus braços. Meu coração transbordou de alegria ao pensar em como Amie ficaria feliz ao ver ele. Acima de tudo, eu...
— Ana?
O sono nos meus olhos e o sorriso nos meus lábios desapareceram ao ouvir aquela voz.
— Ana! — Ele se apressou e segurou minhas mãos. — Como você está agora? Eu estou tão...
Arranquei minhas mãos dele e interrompi sua desculpa.
— O que você está fazendo aqui agora? O que você quer?
Ele parecia surpreso, mas logo se recuperou.
— Desculpa, amor. Estive muito ocupado. Desculpe por não ter atendido suas ligações quando você precisou de mim.
Fiquei olhando para ele por um tempo, minha garganta se apertando com as lágrimas.
— Eu estava morrendo, Dennis. — Minha voz tremia. — Eu estava com tanto medo de morrer. E então eu pensei que, mesmo que eu morresse, teria uma pessoa ao meu lado, meu marido estaria ao meu lado.
— Desculpa...
— Você não estava lá! Desculpas não consertam isso. Eu te liguei tantas vezes. Eu inventei desculpas para você, certa de que você veria as ligações perdidas e correria para casa.
Ele engoliu em seco e se ajoelhou.


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