ANASTASIA
O caminho de volta da UTI neonatal foi tão silencioso quanto o que fizemos para chegar lá.
A única conversa que tivemos a caminho da UTI foi Aiden se desculpando por não ter atendido minha ligação. Eu disse que estava tudo bem, e ele soltou um suspiro de alívio, balançando a cabeça.
— Ainda bem que o Dennis chegou até você antes de mim.
Meus lábios apenas se curvaram em um sorriso rígido. Depois, ele perguntou como eu estava, se eu conseguia caminhar até a UTI. Enquanto respondia que estava bem, por um breve momento me perguntei se ele se ofereceria para me carregar até o quarto caso eu dissesse que não conseguiria andar.
Um sorriso nostálgico tocou meus lábios enquanto eu mesma respondia à minha pergunta. Provavelmente, ele teria feito aquilo.
Naquele momento, meus olhos alternavam entre meus pés calçados com sandálias e os sapatos brilhantes e luxuosos de Aiden, a cada passo que me aproximava do meu quarto. Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos, e seu olhar permanecia fixo à frente.
Qualquer um pensaria que nenhum de nós estava interessado naquele reencontro.
Mas, lá no quarto, eu tinha visto a alegria iluminar seu rosto por completo, tornando-o ainda mais bonito do que já era. Vi orgulho e alívio em seu olhar; uma mistura de emoções atravessava seus olhos enquanto suas mãos alcançavam o berço e tocavam o bebê com tanta delicadeza, como se um toque mais forte pudesse quebrá-lo. Seus dedos roçaram devagar a pele rosada e macia, evitando cuidadosamente os fios e sensores presos aos pezinhos, enquanto ele sorria para o pequeno.
Os bracinhos do bebê se moveram de forma lenta enquanto ele encarava Aiden, como se estivesse encantado. Por um momento, eu tive certeza de que ele ia sorrir para ele, mas antes que aquilo acontecesse, ele fechou os olhos e adormeceu.
— Ele é tão pequeno. — Aiden murmurou, quase em um sussurro.
Olhei para ele e, mesmo com o olhar fixo à frente, pude ver o contorno de um sorriso admirado em seus lábios.
— Mas parece bem saudável. — Ele continuou, e por um instante achei que falava consigo mesmo, até que acrescentou. — Nem parece prematuro, você não acha?
Assenti e respondi:
— O médico disse a mesma coisa.
A primeira vez que o vi, também me surpreendi. Se eu não tivesse sido a pessoa que o trouxe ao mundo, teria pensado que ele estava ali por outro motivo.
Voltamos ao silêncio.
Ver meu filho novamente amoleceu meu coração. Esqueci toda a raiva que sentia de Dennis e até a leve frustração com Aiden por não ter atendido minha ligação. Mas eu não tinha o direito de ficar brava com Aiden. Ele tinha sua própria vida e esposa. Não podia ficar à minha disposição o tempo todo.
Mas Dennis?
Quando vi meu filho na UTI neonatal, eu quis perdoá-lo. Quis ligar para ele e ter seus braços ao redor de mim enquanto olhávamos para o bebê juntos, mas eu não podia deixar ele escapar tão facilmente.
Desde aquela noite, ele não havia voltado para casa nem atendido minhas ligações. Eu tinha todo o direito de ficar brava com ele, e eu ia aproveitar tudo aquilo. Eu sabia que precisávamos conversar sobre o que aconteceu, mas por enquanto, eu só queria continuar brava com ele.
— Sr. Aiden!
— Oi, doutor.
Eu fui puxada dos meus pensamentos pelas vozes que invadiram minha mente.
Aiden estava cumprimentando um médico. O médico não parecia familiar. Ele não havia me atendido desde que eu cheguei aqui.
— Quanto tempo, cara! Como você tem estado? — Aiden perguntou, enquanto os dois se abraçavam brevemente.
— Eu estou bem. A vida está boa. E você?
Aiden abriu levemente os braços.
— Estou bem, cara.


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