DENNIS
Mesmo depois de demitir a Tabitha, a culpa persistia e eu não conseguia olhar para a Ana sem reviver aqueles breves minutos na água com a Tabitha. Naquele instante, estava tomado pela culpa.
Já tentei contar para a Ana, mas sempre parecia ser o momento errado. E por onde eu começaria, se finalmente achasse que era a hora certa?
— Ei, Ana, enquanto esperávamos a Amie se curar, eu, tolo, me juntei a uma igreja falsa e, lá, um dos membros, que, por acaso, é minha funcionária, tentou me seduzir. Talvez tenhamos se beijado e ido além disso.
Zombei de mim mesmo. Soava como um completo tolo, e imaginava a dor que veria nos olhos dela; sabia que precisava manter essa imagem intacta, mesmo que apenas em minha imaginação, pois ver a Ana verdadeiramente magoada me despedaçaria.
Naquela manhã, depois de uma sessão de beijos apressados, me vi dizendo para a Ana:
— Que tal uma escapada? — Murmurei enquanto mordiscava suavemente sua orelha. — Algo romântico, só nós dois.
Ela colocou a palma da mão no meu peito e empurrou suavemente. Quando a encarei, seus olhos me sondavam por um tempo.
— Uma escapada? — Ela repetiu, com um leve sorriso. — Como umas férias?
— Sim. — Acenei, sorrindo, e, em seguida, suas sobrancelhas se franziram um pouco.
— Mas e as crianças? Elas não podem ir com a gente, né?
— Podemos contratar uma babá temporária para elas. — Respondi, pois já havia pensado em tudo. Porém, por um breve momento, me perguntei por que realmente desejava aquilo. Sim, umas férias só eu e a Ana seriam maravilhosas, mas normalmente eu não queria deixar as crianças aos cuidados de ninguém.
Suspeitei que fosse uma tentativa de afastar a culpa insuportável pelo ocorrido com a Tabitha. Mas era apenas uma suspeita.
Ela sorriu, e logo percebi o que diria:
— Dennis, eu adoro a ideia de uma escapada. Sério, seria perfeita. Depois de toda essa turbulência emocional, seria o ideal a fazer. Mas… — Ela hesitou, suspirando enquanto levava a mão à minha bochecha. — Acho que não é o momento certo.
— Se for por causa das crianças, podemos ir com elas e com uma babá temporária. — Argumentei, desesperado, precisando que aquele sentimento se dissipasse antes que eu gritasse minha infidelidade e arruinasse esse lindo casamento. — Com as crianças, até poderia ser mais divertido e uma boa oportunidade para fortalecer os laços.
Ela suspirou novamente, levantou a cabeça e pressionou um beijo em meus lábios.
— Eu sei que você tem boas intenções, querido, mas a Amie acabou de voltar à escola. Ela já está atrasada o suficiente. Ela não pode faltar à escola. E…
— Seria só por uma semana ou duas. Ela pode assistir às aulas virtualmente, de onde decidirmos ir. — Completei, mesmo sabendo que estava forçando a barra, como se quisesse impor a viagem a todo custo, mas não consegui evitar.
Houve uma pausa; ela franziu o rosto, e eu não pude deixar de me perguntar o que se passava em sua cabeça.
— E tem também o Justin. — Ela finalmente disse. — Não podemos simplesmente o expor a qualquer clima ou ambiente assim. Ele ainda precisa de cuidados adequados.
"Deixe isso, Dennis. Deixe isso", repetia uma voz na minha cabeça, mas eu a ignorei.
— Podemos tomar todas as precauções necessárias, p... — Comecei a dizer, mas ela levou a mão ao meu rosto e beijou meus lábios.
— Dennis, não é o momento certo. — Ela afirmou com firmeza e, em seguida, acrescentou: — E, para ser sincera, não posso deixar minhas crianças com ninguém. Ainda não.
Sorri de volta.
— Tudo bem, então. Quando você acha que será o momento certo? — Perguntei, me afastando um pouco e deitando ao lado dela, me encaixando em forma de colher.
Ela murmurou por um tempo: — Digamos… hum… daqui a seis meses.
Seis meses!


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