AIDEN
Fiquei paralisado com as palavras de Dennis. Ele já sabia?
Mas, claro, Dennis também estava envolvido na investigação, embora não tão ativo quanto eu. Não deveria ser surpresa que ele estivesse a par da situação. Era o caso da própria filha, afinal. Ele tinha todo o direito de saber.
Mesmo assim, tentei ignorar a hostilidade. O que me preocupava agora era Ana. Uma clínica psiquiátrica? Como ela chegou a esse ponto? Como Dennis permitiu isso? A vontade de confrontá-lo era grande, mas me contive. No fundo, tudo isso era minha culpa... e de Sharon.
— Em qual hospital ela está? — minha voz saiu sem força, como se a pergunta não fosse real. Eu sabia que Ana amava Amie com todo o coração, mas nunca imaginei que a perda a afetaria tão profundamente.
Dennis me encarou, cerrando os olhos com raiva.
— Por que quer saber? Vai correr pra contar pra sua esposa?
Maldito seja... senti meus punhos se fechando sozinhos.
Respirei fundo.
— Eu tentei ligar para vocês, mas ninguém atendeu. Quando o celular da Ana desligou, fiquei preocupado... — falei, dando de ombros. — Então vim ver como ela estava.
— Agora já sabe — ele retrucou, seco. — Então vá embora.
Ele tinha todo o direito de me mandar embora. Ainda assim, não sairia dali sem respostas.
— E o Justin? Como ele está? — perguntei, mudando de assunto.
Dennis desviou o olhar e murmurou algo que não consegui ouvir.
— Posso vê-lo? — insisti. A última vez que vi o garoto foi quando Amie desapareceu.
— Não — respondeu, sem titubear.
Suspirei, sentindo a irritação crescer.
— Poxa, eu só estou tentando entender como ele está. Como você está lidando com ele agora que a Ana não está por perto? Ele pode ser pequeno, mas sei que sente a mesma perda que todos nós.
Ele bufou, impaciente.
— Olha, enquanto ele estiver comigo, está bem. Contratei uma babá. Agora, some da minha casa.
Aquilo foi a gota d’água.
— Qual o seu problema? Você acha que estou feliz com tudo isso? Acha que estou em festa porque a Amie morreu? Ou que estou tranquilo sabendo que o Justin não tem a mãe por perto?
Ele deu uma risada sarcástica.
— Vai saber...
— É por isso que a Ana está onde está — retruquei, dando um passo para trás, balançando a cabeça. — Você está tão cheio de rancor e raiva...
Sacudi a cabeça novamente.
— Eu não posso deixar o Justin com alguém assim.
— Cai fora, Aiden. Some daqui.
— Veremos — respondi, com frieza. — Veremos quando eu for buscar a guarda do Justin.
E saí dali, pisando firme, o sangue fervendo.
***
A caminho de casa, segurava o volante com força, tentando me acalmar. Então, o celular tocou.
— Alô, detetive. Alguma novidade? — atendi.
— Não exatamente, só estou ligando para avisar que sua esposa desmaiou. Foi levada para o hospital. Faz um tempo que tento te ligar.
Minha esposa... essa palavra me soou como um soco. Como eu tinha me tornado marido de uma criminosa?

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