As luzes piscavam de uma cor para outra, os corpos suados apertados na pista de dança do bar não eram exatamente o que eu esperava para aquela noite. Eu só queria paz e uma noite tranquila com meus amigos.
Durante a minha direção até ali, Joel me ligou, a voz dele mal conseguindo se fazer ouvir sobre o estrondo da música no bar. — O Will também está aqui.
Eu perguntei: — O quê? — Por umas três vezes até finalmente ouvi o que ele estava tentando falar.
Encontrei-os na área VIP, o espaço que havíamos reservado só para nós três.
Era o único lugar onde podíamos conversar e ainda sentir um pouco da vibração pulsante do bar.
Pedi ao meu assistente para me enviar o arquivo com as informações da Grace. Virei a foto em direção ao Joel. — Você a conhece, nê? Vocês namoraram.
O Will interrompeu e assobiou. — Eu lembro dela, ela era aquela garota que você estava pegando a um tempo. — Ele se virou para mim. — Eu perguntei a ele se ele gostaria de partilhar, você sabe...
— Idiota. — Joel riu e acenou para mim. — É, eu sei. Mas não namoramos. A gente só… você sabe. — Ele ergueu as sobrancelhas, uma expressão arrogante no rosto. — Amigos com benefícios, essas coisas.
— Isso é ainda mais quente! — Will riu.
— Cala a boca. — Joel balançou a cabeça para Will. De seguida, sua expressão ficou séria. Dramaticamente, ele colocou a palma no peito e fechou os olhos. — Meu coração pertence à Sandra. A propósito, ela estará de volta em breve.
Sandra era a melhor amiga feminina de Joel e a paixão dele há muito tempo. Eles sempre tiveram um interesse um pelo outro desde que eu conheci os dois. Podiam ter se pegado uma ou duas vezes, mas nunca tornaram nada oficial antes de ela viajar para fora do país.
Eu balancei a cabeça e coloquei meu celular de volta no bolso.
— Então, porquê você perguntou?
— Então, porquê vocês pararam de transar?
Will e Joel perguntaram ao mesmo tempo.
É claro que eu sabia qual pergunta responder. Tomei um gole do meu vinho, minha atenção indo para os corpos retorcendo e suando na pista de dança, especialmente das meninas. Se a Bella não estivesse de volta, eu teria escolhido uma daquelas garotas e teria uma boa noite com ela num hotel.
— Ela possui uma empresa. Eu fiz uma proposta de aquisição e ela simplesmente recusou. Bem, ela a sua parceira.
— Quem eu gostaria de marcar um encontro é com aquela gata ali. — Will tinha um grande sorriso no rosto enquanto subia as escadas e olhava para baixo. A camisa dele estava desabotoada, mostrando a pele bronzeada por baixo, e o cinto dele havia sumido.
Rolei os olhos. — Você acabou de ter com uma vagabunda nê? Seria bom você relaxar?
Ele me lançou um sorriso. — Não consigo relaxar quando vejo gatas como aquela—caramba! — Ele interrompeu e foi para a grade. — Mark?
Franzi a testa para suas costas. Sua voz estava tingida daquela malandragem típica dele. Antes que eu conseguisse soltar um “o que” coerente, ele se apressou ao meu lado e me puxou para onde estava.
— Meu Deus. Aquela deusa não é sua esposa? — Sua cabeça se movia entre meu rosto e a pista de dança, e eu vi ele lamber os lábios na minha visão periférica. Ele olhou para a mulher debaixo dos holofotes como se estivesse hipnotizado. — Se não for, então que eu me dane se não conseguir dividir a cama com ela esta noite.
Olhei de perto, apertando os olhos para enxergar a figura esguia se esfregando contra a virilha de um cara. O bumbum estava quase a vista com aquela saia minúscula que ela vestia, a blusa grudava na parte de cima do corpo, e as longas pernas e pés em saltos deixavam pouco à imaginação.
Meu coração pulou uma batida assim que uma memória surgiu. A mulher com o cheiro marcante no aeroporto.
— Caraca! — murmurei. Sem mais palavras, empurrei Will para o lado e corri escada abaixo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Bilionário, Vamos Nos Divorciar