— Estou indo para a capital. — Disse, enquanto arrumava minhas coisas.
— O quê? Uma hora dessas? — Saulo me repreendia.
— Não posso mais perder tempo, Saulo, Aurora pode estar passando por necessidades. — Minha preocupação era toda para ela naquele momento.
— Eu sei, cara, mas descansa hoje, esse dia já foi muito cheio, fica com seu filho um pouco.
— Você quer que eu fique com o Noah, para você ficar com a Denise, não é mesmo?
Um sorrisinho de canto brotou em seus lábios. A cara de Saulo não negava que eu havia pegado-o no flagra.
— Também, não vou negar. — Riu — A morena está como um cão de guarda por muito tempo, hoje a noite eu iria comemorar nossa liberdade.
— Tudo bem… Além disso, o que eu poderia fazer hoje, não é mesmo? O Noah também precisa de mim, já faz um tempo que não temos um tempinho só para nós.
— Pois é, descanse. Amanhã bem cedo irei com você para a capital, iremos buscar a Aurora, nem que tenhamos que revirar todo o país, aliás, e se ela foi para fora do país?
— Acho que não seja provável, ela não tem passaporte.
— Menos mal, mas você deve providenciar um quando ela voltar, afinal, vocês precisam de umas férias também.
— Tenho tantos planos para quando ela voltar.
— Sei…
[…]
Chegando em casa, havia tomado banho e dado um banho demorado no Noah, enquanto vestia seu pijama, notei que um de seus olhos estavam lacrimejando excessivamente.
— O que houve, papai? — Perguntei a ele carinhosamente.
Examinei seus olhinhos e vi em seu olho esquerdo um pequeno coágulo de sangue, que se não fosse olhado com muita atenção e cuidado, seria praticamente imperceptível.
Um sinal de alerta veio em mim, penteei seus cabelinhos que estavam grandinhos e ele bocejou com uma carinha de sono. Amanhã pela manhã já o levaria para o médico, seja o que fosse, cuidaríamos o mais rápido possível. Após tomar a mamadeira e escovar os dentinhos, Noah se deitou ao meu lado. Ele estava aparentemente cansado, embora estivesse alheio a todas as coisas.
Liguei o ar condicionado e me deitei ao seu lado, fazendo cafuné em sua cabeça. Após ele dormir, peguei o celular de Aurora e comecei a mexer. Sei que isso poderia ser considerado invasão de privacidade, mas eu estava com tanta saudade dela, que queria vê-la e tentar saber um pouco mais sobre sua vida.
Na pasta de fotos, encontrei foto dela e da irmãzinha. Aurora tinha um sorriso encantador e sincero, de longe, podia-se ver a sua pureza. Depois, achei fotos dela com uma garota da mesma idade, devia ser alguma amiga. Fotos no ônibus, acho que foi no dia em que ela fugiu, pois estava com a mesma roupa que chegou aqui na fazenda, e mais para frente, rolando na galeria, fotos do Noah.
Havia milhares de fotos dele, desde quando ela chegou aqui, até o dia em que foi embora, dava para notar o quanto ela o amava. Havia uma foto minha com o Noah, no dia do mesversario dele, estava como papel de parede.
“Ah, Aurora, eu preciso te encontrar, custe o que custar.”
Parei no tempo olhando uma foto sua, que ela havia tirado no dia da feira agropecuária, nesse dia, essa magrela estava linda demais.
Procurei em seus contatos o número de alguém que pudesse me ajudar a encontrar seu paradeiro, sua agenda tinha poucos nomes, então encontrei o de Isadora, a moça que estava junto em várias fotos com ela, anotei em meu celular e liguei imediatamente.
— Alô. — Uma voz sonolenta atendeu.
— Olá, é a Isadora?
— Quem deseja? — Respondeu desconfiada.
— Eu me chamo Oliver, sou patrão da Aurora.
— Aconteceu alguma cosa com ela? Por favor, me diga. — Sua voz mudou de desconfiada para preocupada.
— A Aurora saiu daqui de casa há alguns meses e não deu nenhuma notícia. Gostaria de saber se você mantém contato com ela.
— Não, a Aurora nunca mais me ligou, já mandei mensagens e liguei várias vezes, e seu telefone não chama. Fiquei preocupada, mas não tive como ir atrás dela, eu moro com minha tia e dependo dela para tudo, além da faculdade que consome meu tempo, fiquei sem saber como encontrá-la. O senhor acha que aconteceu algo com ela?
— Houve alguns imprevistos por aqui e estou tentando encontrá-la, por favor, se ela te procurar me avise imediatamente, este é o meu número.
Após desligar e ver que Aurora não havia entrado em contato com ninguém, acabei adormecendo de tão cansado que estava.
[…]
No outro dia, acordei bem cedo, arrumei as coisas de Noah. Já havia mandado mensagem agendando uma consulta para ele nessa manhã, eu sairia mais cedo com Saulo, pois passaríamos no aeroporto. Como a consulta de Noah era apenas às dez, mandei Denise ir mais tarde com o Joaquim, assim não ficariam muito tempo esperando.
— Vamos? — Saulo apareceu colocando um boné na cabeça, e vestido uma roupa casual.
— Aí, cara, gostei da ideia. — Ria como uma hiena. — Que tal, João e Maria?
— Abrirei a porta e te chutarei para fora, isso, sim, aí você escreve, deixado para trás.
— Tudo bem, irei parar, esse não parece um bom gênero de livro. Agora, falando sério, ainda bem que você viu aquilo no olho do Noah, Denise disse que nunca percebeu.
— É imperceptível mesmo, espero que não seja nada de mais.
— Não vai ser.
[…]
Chegando ao aeroporto, fui para a administração, lá conversei com o diretor que foi muito educado, colocou todos os funcionários para procurarem a passagem que Liana comprou, mas não foram achadas nenhuma no nome dela, tentei também procurar com o nome de Bia, mas foi em vão. Liana havia comprado com nome de outra pessoa. A vadia era muito esperta mesmo, e sobre as gravações não acharam nada.
— E agora, o que faremos? — Saulo perguntou, frustrado.
— Por agora, vamos para o hospital. Denise já deve ter chegado com o Noah, depois da consulta, procurarei um bom detetive.
No hospital, o pediatra de Noah analisava seus olhinhos.
— Senhor Oliver, nesse caso, é bom que um oftalmologista dê um parecer. — Examinava Noah com atenção e cuidado. — Vou mandar fazer alguns exames e vou direcioná-los para a sala do oftalmologista.
O que pensei que seria rápido, durou o dia todo. Após vários exames e a consulta com o oftalmologista, os médicos me chamaram na sala. Deixei Noah, Denise e Saulo na sala de espera e fui para onde eles me aguardavam.
— Senhor Oliver. — O oftalmologista começou. — Após os exames e a análise minuciosa, há uma leve suspeita sobre o que pode ser no olho do seu filho.
— Sem delongas, por favor. — Estava impaciente, odiava rodeios.
O médico explicou, mas ainda não seria o diagnóstico preciso, se tratava de um tumor nos olhos, que geralmente aparecia em crianças da idade de Noah até os três anos.
— O que faremos é indicar um exame mais profundo e minucioso, com a avaliação de um especialista no caso.
— Então, o que estão esperando para fazer?
— Aqui no hospital não temos um especialista nesse tipo de caso, mas temos o melhor no país. Iremos indicá-lo para o senhor, o médico é o doutor Tácio Duarte.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: uma babá na fazenda
Que história linda e maravilhosa. 98 capítulos e li em menos de 24hs. Essa história daria uma linda novela. penas lendo conseguiu provocar em mim um turbilhão de emoções, imagina se fossem cenas de novela. Parabéns a escritora Célia pela ótima história e pela riqueza de detalhes. Consegui visualizar cada cena de cada capítulo em minha cabeça. Cenas de amor, de injustiça dos vilões, da guerreira Auruora....enfim simplesmente amei essa história. E facilmente daria uma ótima novela com certeza....