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Caminho traçado: uma babá na fazenda romance Capítulo 88

Eu não sei o que anda acontecendo comigo, se essa maré de azar e sorte é algum sinal divino, mas…

Toda vez que penso que minha vida vai se resolver, acontece algo, eu não suporto tanta informação simultaneamente. Após voltar para a fazenda e arrumar nossas malas, pegamos o avião para o sul do país. Atrás desse especialista. Saulo e Denise vieram juntos. Denise como babá e Saulo como amigo. Mesmo dando as férias para Denise, eles insistiram em adiá-la até que a suspeita sobre Noah chegasse ao fim.

Gratidão era pouco sobre o que tinha por ele. Meu melhor amigo e irmão do coração, não havia palavras para descrever o que sentia. Já fazia quase um ano que ele estava comigo na fazenda, sem um dia sequer de descanso. Faz um tempo que ele quer levar Denise para conhecer a família, mas toda vez tem adiado por minha causa. Eu seria eternamente grato por tudo que ele me fez.

Sentado na poltrona do avião, com meu filho no colo, sentia que a vida me afastava mais da possibilidade de encontrar a Aurora, o que fazia um amontoado de coisas virarem nó em minha garganta. Fechei os olhos e me concentrei no que podia ser o resquício de esperança. Havia contratado dois detetives para encontrá-la e contava com isso, já que eu não poderia fazer pessoalmente. Não agora, que meu filho precisaria de mim.

“Se for para ficarmos juntos, o destino nos unirá novamente”.

Me lembro de ter pensado isso a primeira vez que a vi, então colocaria de novo esse pensamento em prática, espero que, até lá, tudo dê certo.

— Tira essa cara de preocupação, vai dar tudo certo, já agendei uma consulta com esse doutor Tácio, conversei diretamente com a secretária dele, uma tal de Rafaela, que foi muito educada e disse que você está com sorte, já que um paciente havia remarcado, deixando uma vaga para amanhã livre.

— Acha que é algo grave, Saulo?

— Não vai ser nada, é apenas uma suspeita, não se preocupe e tenha fé, seja o que for, confiaremos em Deus e esperaremos que esse médico seja bom mesmo.

— Eu não quero perdê-lo. — Meus olhos já estavam pesados de tanto tentar segurar o choro. Noah era um presente que eu havia recebido, mesmo que não tivesse dado o valor que merecia no começo, eu o amava mais-que-tudo nesse mundo.

— Você não irá, não se preocupe à toa, isso tudo ficará no passado.

O avião pousou às dezenove horas, e um carro nos levou para o hotel, onde já havíamos reservado. Após colocar Noah para dormir, revi minha agenda. A consulta dele seria a primeira, às nove da manhã. Queria chegar mais cedo, iria às oito, estava ansioso demais para esperar. Orava e pedia a Deus que nada de grave acontecesse com meu filho.

[…]

Pela manhã, desci para tomar café, Denise já estava com Noah na cadeirinha do refeitório.

— Hotéis com acessibilidade para crianças é tudo, hein? — Saulo sorria, gostava que ele sempre passava bom humor e boa energia adiante.

— Isso é algo que comecei a prezar com o tempo. — Observava o lugar.

— Você se tornou um ótimo pai, vai se dar muito bem com os gêmeos.

— Gêmeos? — Denise perguntou confusa.

— Não liga para seu namorado, Denise, ele está escrevendo um roteiro imaginário na fantástica cabeça dele. Um bom psicólogo e um remedinho três vezes ao dia resolvem isso rapidinho.

— Ah sim! — Ela falava enquanto oferecia um pedaço de fruta ao Noah.

— Estou procurando um carro para alugar, achei um lugar aqui com ótima avaliação, irei lá agora.

— Agora?

— Sim, esse médico vai demorar para chegar, não é? Dá tempo de eu resolver logo isso.

— Tudo bem.

Saulo saiu do consultório, deixando apenas nós três. Denise estava brincando com Noah, que continuava muito falador na linguagem de bebês. Eu estava nervoso, parecia que algo estava para acontecer. Não sei se era algo bom ou ruim, mas engolia em seco. Levantei mais uma vez e fui até a secretária.

— Com licença, onde você disse ficar a copa?

— É só o senhor seguir este corredor à direita, tem uma moça lá.

— Certo, obrigado.

Estava com a garganta seca, precisava beber alguma coisa. Minhas mãos suavam. Deixei Denise e Noah e fui em direção à copa. Segui o corredor que a recepcionista me falou. Quando pus a mão na maçaneta para abrir a porta, ouvi uma voz dizer o meu nome.

— Oliver?

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