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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 174

Nuria

Parei a poucos passos dele, sentindo a tensão pulsar no ar.

"Não," respondi, firme, mesmo que meu coração doesse. "Não vim te impedir."

Ele se virou então, devagar, como uma fera acuada.

Os olhos prata me atravessaram como punhais.

"Então o que veio fazer? Me consolar? Me dizer que tudo vai ficar bem?" a risada dele foi seca, sem humor. "Poupe seu tempo, Nuria. Não preciso da sua pena."

Aquelas palavras me cortaram.

Fundo.

Mas não me movi.

"Pena? Eu não tenho pena de você, alfa." falei dando um passo a mais em seu escritório. "O que sinto por você é amor."

Ele cerrou o punho sobre a mesa, os nós dos dedos esbranquiçando.

"Amor?" repetiu, venenoso. "O seu amor matou meu sobrinho. Ele se afastou de mim, por causa disso que criamos."

Estremeci.

Era cruel.

Era injusto.

Mas era o que ele precisava dizer.

"Não fui eu quem colocou uma bomba naquele carro," falei, a voz quebrando. "E você sabe disso, Stefanos. Não me puna por um crime que não cometi."

"Se não fosse por você..." ele começou, a voz falhando. "Se não fosse por você, Johan ainda estaria aqui! Ele não teria saído de casa... ele não..."

Engoli em seco.

O nó na minha garganta era sufocante.

"Se não fosse por mim..." repeti, tentando entender. "Ou se não fosse por você, Stefanos? Por suas escolhas? Por sua guerra? Por sua arrogância?" avancei um passo, a dor transformando-se em coragem. "Eu tinha minhas diferenças com Johan, mas nunca te pedi para prendê-lo, ou para bani-lo. Nunca pedi para que o afastasse de você, por mais medo que eu sentisse do que ele pudesse fazer. Foi você que fez tudo isso, não eu."

Ele recuou meio centímetro, como se minhas palavras tivessem mais peso do que ele estava pronto para suportar.

"Você quer alguém para odiar," continuei, a voz mais firme. "Quer me culpar porque é mais fácil do que encarar a culpa que sente. Mas eu não vou carregar isso por você. Eu já carrego culpa demais pelos que eu perdi. Você não é o único sem família aqui. Eu sei a dor que você está sentindo. Sei como ela destrói. Massacra. E não vou te dizer que vai passar, por que não vai. Não agora e nem tão cedo."

Ele me encarou, os olhos faiscando.

"Eu te dei tudo," rosnou, a voz rouca. "Confiança. Proteção. Lar."

"Eu nunca pedi para ser salva!" gritei, sentindo a dor transbordar como um rio em fúria.

"Você me prendeu aqui, Stefanos! Me ensinou a te amar, a te desejar, a te enxergar como meu lar!"

Minha voz quebrou, mas não recuei.

"Você me tornou sua Luna, me marcou, me fez pertencer a você... e agora me pune por ser exatamente isso!"

Dei um passo à frente, a respiração falhando.

"Eu só queria que confiasse em mim. Que me deixasse ficar ao seu lado mesmo quando tudo estivesse desmoronando! Mesmo quando o mundo estivesse ruindo sobre nós!"

Meus olhos ardiam, mas me mantive firme.

"Eu não preciso que você me salve, Stefanos.

Eu só preciso que você me deixe amar você.

Mesmo nos seus piores dias."

A respiração dele estava descompassada.

A minha também.

O espaço entre nós era um campo minado, pronto para explodir a qualquer segundo.

"Eu não preciso de você agora," ele disse, a voz baixa, mortal.

As palavras cravaram garras no meu peito.

Mas mesmo assim, dei outro passo em direção a ele.

"Você não precisa de mim," murmurei, encarando-o, "mas seu lobo precisa. Seu coração precisa. Você só não quer admitir."

Ele rangeu os dentes.

174. Escolher ficar 1

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