Jenna
Eu estava vazia.
Deitada na cama, meu corpo ainda formigava onde os lábios de Rylan estiveram. Um buraco no peito me engolia, como se algo essencial tivesse sumido.
Ele me levou ao êxtase com aquela boca pecaminosa. Me fez desmoronar em prazer. E então, me abandonou.
Saiu prometendo me marcar, mas só quando ele quisesse. Agora, eu queimava por ele... pelo seu toque, seu cheiro, sua voz rouca.
A raiva crescia, tão forte quanto o desejo. Como ele ousava me deixar assim? Pulsando, precisando, incompleta?
Eu o queria com uma ferocidade que não explicava. Minha loba uivava por ele, mesmo que em minha mente eu quisesse, fingir que estava tudo bem. Se ele não queria, ok!
"Idiota," murmurei, com a voz embargada, o coração ainda em guerra com meu corpo.
Joguei as pernas para fora da cama, sentindo o calor dele ainda grudado na minha pele como uma maldição.
Cada passo até o banheiro era um lembrete, das mãos dele, do toque, do rosnado grave no meu ouvido.
Abri o chuveiro no mais gelado que consegui e entrei sem hesitar, deixando a água despencar sobre mim como se pudesse apagar o incêndio que ele deixou para trás.
Mas não apagou.
Cada gota escorria carregando o peso da boca dele, o fantasma dos seus dedos, o calor do seu corpo.
E a maldita promessa que ele fez... Aquela que me mantinha presa entre o desejo e a espera.
"Por que você não me quer como eu te quero?" sussurrei ao vazio. O som da água engoliu minha voz.
Fechei os olhos. A imagem dele, olhos ardentes, sorriso torto... não saía da minha cabeça. Queria odiá-lo. Queria que ele sentisse esse vazio.
Mas, acima de tudo...
Eu o queria aqui.
Me tomando.
Me marcando.
Apagando com o corpo o que as palavras hesitaram em selar.
Eliminando qualquer dúvida de que eu era dele. Inteira, sem retorno.
Saí do banho com os dentes trincados, o vapor no espelho embaçando mais do que o reflexo.
A raiva ainda pulsava junto ao desejo, um nó latejante entre as pernas e no peito.
Enrolei a toalha com firmeza e voltei ao quarto. Abri a gaveta e joguei um pijama qualquer sobre a cama, camiseta larga, short simples.
Nada ali refletia o caos dentro de mim.
Me vesti sem pensar, sem querer pensar.
Deitei.
Puxei as cobertas.
Fechei os olhos.
Tentei dormir.
Impossível.
Ele ainda estava em mim.
Meu corpo formigava. Meu centro pulsava. Um gemido frustrado escapou antes que eu pudesse segurar.
"Chega," rosnei, jogando as cobertas. Levantei, o coração disparado.
Troquei o pijama pela roupa de trabalho. Calça justa, blusa simples. O uniforme me ancorava à rotina.
Se eu não podia ter Rylan, podia ao menos me afogar no trabalho.
Desci à cozinha enquanto o amanhecer ainda bocejava no horizonte. A casa estava silenciosa. Só eu e meus pensamentos, o que era péssimo.
Meus movimentos eram automáticos: pegar bandejas, organizar pães, preparar café. Mas minha mente estava longe dali.
Cada toque de tecido contra minha pele era um lembrete.
Do calor dele.
Do peso do corpo dele sobre o meu.
Do quanto eu o queria.
Do quanto o meu corpo o chamava, mesmo quando a razão gritava pra esquecer.
Mordi o lábio, tentando focar nas tarefas.
Não podia gemer.


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