Nuria
O quarto parecia menor a cada minuto.
Eu andava de um lado para o outro, sentindo o piso frio sob os pés, tentando sufocar a vontade de descer as escadas e encará-lo de novo.
Por que eu aceitei tão fácil?
Por que não gritei? Não bati nele? Não fiz ele engolir cada palavra cruel que me lançou?
A verdade era amarga demais para ignorar.
Eu sabia.
Eu já estive exatamente onde ele estava agora.
Eu conhecia aquela dor desesperada, aquela sensação de que nada e ninguém seriam suficientes para tapar o buraco que a perda deixava.
Então, por mais que a minha loba exigisse reação, por mais que cada fibra do meu corpo quisesse pressioná-lo a enxergar o que estava fazendo com a gente... eu entendi.
E ainda assim...
Por que esse vazio dentro de mim parecia crescer?
Eu disse que esperaria.
Disse que estaria aqui.
Mas uma parte de mim gritava em silêncio, implorando para que ele viesse.
Para que lutasse por nós.
Para que lembrasse do que construímos, antes que tudo desmoronasse.
Talvez eu tenha me acostumado demais.
Com os mimos.
Com o jeito como ele me olhava como se fosse tudo.
Com a presença dele envolvendo o ambiente inteiro, me protegendo até quando estava em silêncio.
Com o calor dos olhos que me incendiavam por dentro.
Com o toque firme que me ancorava... que fazia o mundo lá fora desaparecer.
E agora, sem isso...
Sem ele...
Era como se algo dentro de mim estivesse apagando devagar.
Respirei fundo, decidida.
Talvez eu não pudesse salvá-lo da dor, mas não ia deixá-lo afundar sozinho.
Estava prestes a sair do quarto quando a porta se abriu.
E lá estava ele.
Parado na soleira, como uma sombra imensa, olhos de prata queimando em uma tempestade silenciosa.
Por um instante, nos encaramos.
Dois guerreiros feridos.
Dois corações quebrados.
Nenhum de nós falou.
Nenhum de nós recuou.
Finalmente, ele quebrou o silêncio:
"Estava indo a algum lugar?" perguntou, a voz baixa, rouca, com um tom mais suave do que eu esperava.
Cruzei os braços, tentando manter a calma.
"Não," respondi. "Só ia... conferir se você estava bem."
Houve uma pausa longa.
Muito longa.
Então, ele deu um passo para dentro.
"Não estou bem," confessou, e a honestidade crua nas palavras dele quase me derrubou. "Nem um pouco."
Meu peito apertou.
Stefanos se aproximou com passos lentos, até que o calor dele me envolvesse de novo.


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