Na manhã seguinte, a mansão parecia ter se transformado.
Homens desconhecidos caminhavam pelos corredores, verificando câmeras, testando sistemas de segurança e falando em códigos que Lívia não entendia. A rotina silenciosa que ela começava a conhecer havia sido substituída por uma movimentação constante.
Ela desceu as escadas devagar, observando tudo.
— Isso vai durar quanto tempo? — perguntou ao encontrar Adrian no hall.
Ele estava falando ao telefone, mas desligou assim que a viu.
— Até eu ter certeza de que você está segura.
— Isso pode levar dias.
— Ou semanas.
O estômago dela se apertou.
— Eu não posso viver assim.
Adrian a encarou com atenção.
— Hoje à noite você vai sair comigo.
Ela franziu a testa.
— Sair?
— Temos um evento importante.
— Você acha mesmo que isso é uma boa ideia depois da ameaça de ontem?
— Justamente por isso.
— Não entendi.
Ele caminhou até mais perto.
— Se eles querem mostrar que podem nos intimidar, precisamos mostrar que não temos medo.
A confiança dele era quase irritante.
— Eu tenho medo — respondeu ela.
— Eu sei.
— Então por que está me levando?
— Porque ficar escondida só vai piorar as coisas.
Lívia respirou fundo.
Parte dela queria recusar.
Mas outra parte estava cansada de se sentir fraca.
— Que tipo de evento é esse?
— Um jantar com investidores e empresários.
— Parece divertido — disse ela com ironia.
Adrian esboçou um leve sorriso.
— Você vai se sair bem.
Horas depois, ela estava pronta.
O vestido preto elegante que ele havia mandado entregar parecia perfeito demais para a situação.
Quando se olhou no espelho, quase não se reconheceu.
A mulher refletida ali parecia mais confiante.
Mais forte.
Mas por dentro…
O medo ainda estava presente.
Ao descer, encontrou Adrian esperando.
Ele a observou por alguns segundos.
— Você está linda.
O elogio a pegou de surpresa.
— Obrigada.
O caminho até o evento foi silencioso.
Virou o rosto lentamente.
Do outro lado do salão, um homem desconhecido a encarava.
O olhar dele era frio.
Calculista.
Como se estivesse analisando cada detalhe dela.
— Adrian…
— O que foi?
Ela apontou discretamente.
— Aquele homem.
Adrian olhou.
E, pela primeira vez naquela noite, a expressão dele mudou.
— Vamos embora — disse ele imediatamente.
— O quê? Mas acabamos de chegar.
— Agora.
O tom não deixava espaço para discussão.
Enquanto saíam, Lívia ainda conseguia sentir o olhar daquele estranho queimando em suas costas.
Ao entrarem no carro, o coração dela batia acelerado.
— Quem era ele?
Adrian demorou alguns segundos para responder.
— Alguém que eu esperava nunca mais ver.
O medo voltou com força total.
Porque, naquele instante, Lívia percebeu que aquela guerra estava apenas começando.

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