O jantar terminou em um clima leve e tranquilo.
Cesar Soares não perguntou nada sobre a viagem de negócios de Freya. Ela não se surpreendeu com isso. Eles não interferiam na vida um do outro, então ela também não tinha o direito de perguntar quanto tempo duraria a viagem dele ou se ele ainda iria para outro país.
Antônio Diniz estava em uma chamada de vídeo com sua nova namorada. Ao ouvir passos, levantou os olhos e viu Cesar Soares entrando sozinho. A surpresa estampou seu rosto.
— Te ligo de volta daqui a pouco. — disse Antônio.
A mulher respondeu com voz manhosa:
— Não demora.
— Fica boazinha, amor.
Cesar Soares tirou o paletó, abriu as abotoaduras e dobrou as mangas da camisa preta. Em seguida, inclinou-se para pegar o notebook em cima da mesa.
Antônio Diniz colocou as mãos na cintura. Ele conhecia Cesar, mas ainda estava chocado.
— Cesar, como você voltou sozinho?
Cesar Soares sentou-se no sofá, com o notebook no colo inicializando, e lançou um olhar sombrio.
— Eu sou casado. Com quem mais eu deveria voltar?
Antônio Diniz não ousou ultrapassar os limites. Ele engoliu as palavras atrevidas e reformulou a frase:
— Você não pensou que a cunhada pudesse querer dormir com você hoje?
Os dedos de Cesar Soares pararam sobre o teclado.
— E por que você acha isso?
— Que recém-casados não dormem juntos?
De repente, a ficha caiu para Antônio Diniz. Cesar provavelmente ainda não tinha consumado o casamento. Ele não tinha certeza absoluta, pois a personalidade de Cesar era imprevisível. Mas mesmo que já tivessem desfrutado da intimidade, o hábito de priorizar o trabalho acima de tudo dificilmente mudaria.
— Cesar, se fosse eu, recém-casado, viajando a negócios pro exterior e encontrasse minha esposa por acaso, eu jamais deixaria a coitada sozinha num quarto separado.
Antônio perdeu o filtro e disparou:
— Eu não ia querer sair de cima dela até amanhecer.
Cesar Soares ergueu os olhos. Sua voz era fria:
— Case-se primeiro, depois levante hipóteses.
Antônio engasgou, sem ter o que responder.
Mas ele não era do tipo que ficava calado. Após alguns segundos de silêncio, voltou a tagarelar, defendendo Freya Nunes:
— A garota deve estar magoada. Provavelmente está chorando sozinha debaixo das cobertas numa hora dessas.
Cesar Soares já estava perdendo a paciência. Sua mente começou a ficar um pouco turva, e ele cortou o assunto com um olhar glacial:
— Rala.

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